A FIGURA FEMININA E O INSÓLITO NO CONTO SIBILA, DE MÉNDEZ FERRÍN

Joana D'arc Santos de Oliveira do CARMO
2010 Caderno Seminal  
A FIGURA FEMININA E O INSÓLITO NO CONTO SIBILA, DE MÉNDEZ FERRÍN Joana D'arc Santos de Oliveira do CARMO Pode-se supor que este conto permite a Xosé Luiz Méndez Ferrín apresentar determinada carga simbólica e cultural que envolve a figura feminina ao longo dos tempos; observando-se que à mulher sempre foi atribuído o poder sobre os homens, cabendo a ela decidir acerca do destino das pessoas. Assim, para realizar seu objetivo o autor estabelece uma interação entre textos, ou seja, existe "um
more » ... eja, existe "um diálogo intertextual com um texto oculto que intermedeia entre o significado histórico e o significado atual", (Portugal, 2004: 7). O mundo dos fatos históricos e o mundo da ficção, se a princípio são antagônicos, eles podem conviver harmonicamente, pois as impressões formuladas pelo historiador proporcionam lacunas que, por sua vez, precisam ser preenchidas e, desta forma, introduzida a escrita literária, pois: A literatura envolve uma dimensão sociocultural, directamente decorrente da importância que, ao longo dos tempos, ela tem tido nas sociedades que a reconheciam (e reconhecem) como prática ilustrativa de uma certa consciência colectiva, dessas sociedades; Na literatura é possível surpreender também uma dimensão histórica, que leva acentuar a sua capacidade para testemunhar o devir da História e do Homem e os incidentes de percurso que balizam esse devir (Reis, 2001: 24). Essa narrativa de Ferrín se enquadra no gênero denominado conto, visto ser um texto de pequena extensão, contendo poucos personagens: não há dúvida de que esta limitação de extensão arrastou outras limitações que tendem a ser observadas: um reduzido elenco de personagens, um esquema temporal restrito, uma ação simples ou pelo menos apenas poucas acções separadas, e uma unidade de técnica e de tom (...) que o romance é muito menos capaz de manter (Bonheim, apud Reis, 2001: 79). O personagem narrador, no início do conto, sabe que será visitado por Sibila e sofrerá os mesmos reveses de Domingos Areal. Ele relembra a figura desse seu amigo em uma noite fria de 1925, quando encontrou o anel brilhando muito na Rua dos
doi:10.12957/cadsem.2010.10286 fatcat:psgvsc3shje23hd7xsvddsz5xa