Memória histórica sôbre São Sebastião (II)

Antônio Paulino de Almeida
1958 Revista de História  
DA PRESENÇA DE NAVIOS CORSÁRIOS EM SÃO SEBASTIÃO. Por várias vêzes temos feito referências ao pôrto de São Sebastião, não só por sua grandeza e profundidade, como também pela segurança do seu incomparável ancoradouro, que em todos os tempos serviu de refúgio às embarcações acossadas pelos temporais. Protegido dos ventos do mar pela portentosa ilha do mesmo nome e possuindo duas barras francas, era natural que a êle se dirigissem os navios que navegavam pela costa paulista, servindo-se dêsse
more » ... de Abraão, para o necessário repouso, depois de longas viagens e também para o natural reabastecimento de víveres e água. Tais motivos levavam constantemente ao canal do Toque-Toque não só os navios mercantes, como também os brigues flibusteiros e corsários que cruzavam os nossos mares, pondo em sobressalto as populações das vilas da marinha. O aparecimento de tais embarcações diante da vila de São Sebastião era comum desde os primeiros anos da descoberta do Brasil, quando os celerados dos mares passaram a agir nas costas do Atlântico sul. Sôbre êste assunto nos referimos em outro capítulo, tratando do assalto levado à vila pelos corsários argentinos. Da presença de corsários estrangeiros, apresenta-nos o erudito dr. Afonso de E. Taunay em magnífico trabalho, publicado na Revista do Museu Paulista, um substancioso estudo, interessante e circunstanciada notícia que procuraremos resumir, acrescentando-lhe dois documentos inéditos, dos muitos que se encontram no Arquivo do Estado. Diz o ilustre historiador patrício que o fato vem narrado em um livro hc'je raríssimo, que é a História da expedição de três navios enviados pela Companhia das Índias Ocidentais, das Províncias Unidas, às Terras Austrais em 1721, da autoria do viajkante C.
doi:10.11606/issn.2316-9141.rh.1958.106739 fatcat:k2rsoeedkrdp7doh3jgjbw7hja