Espinosa. Ética. Tradução do latim, introdução e notas de Diogo Pires Aurélio (Lisboa: Relógio d'Água – Colecção Filosofia, 2020), 401 pp. ISBN: 9789896419561

João Diogo R. P. G. Loureiro
2020 Revista Filosófica de Coimbra  
Espinosa. Ética. Tradução do latim, introdução e notas de Diogo Pires Aurélio (Lisboa: Relógio d'Água -Colecção Filosofia, 2020), 401 pp. ISBN: 9789896419561 Por ocasião do 343.º aniversário da morte de Espinosa I Graças à célebre entrada dedicada ao filósofo no imensamente influente Dicionário histórico -crítico de Pierre Bayle -publicado primeiro em 1696 e depois repetidamente revisto e ampliado em edições sucessivas -, algumas das ideias centrais de Espinosa eram já conhecidas nos alvores do
more » ... idas nos alvores do século xviii em Portugal, ainda que apenas por certos intelectuais mais atentos às novidades vindas do estrangeiro, como era o caso de Francisco Xavier Meneses, o 4.º conde de Ericeira 1 . Também outros dos nossos maiores vultos de Setecentos, como Verney, Manuel do Cenáculo ou Ribeiro dos Santos, estavam pelo menos a par das teses mais badaladas de Espinosa; nenhum, porém, terá efetivamente lido o autor neerlandês, cujas obras, inscritas no Index logo em 1679, foram ainda proibidas entre nós pelo edital de 20 de Setembro de 1770 da Real Mesa Censória, que determinava que quem acaso possuísse exemplares do Tratado teológico -político e das Obras póstumas os deveria entregar à referida Mesa para que fossem diligentemente destruídos 2 . Apesar das suas raízes portuguesas 3 , o filósofo pouco foi lido no país do seu pai, só no século passado encontrando quem o valorizasse condignamente. Joaquim de Carvalho (1892 -1958) é, de facto, o primeiro, entre nós, a engajar -se em profundi-
doi:10.14195/0872-0851_57_15 fatcat:bwsbzdsv3jhkpm3eqo7ig66dpa