A Produção Geográfica em Goiás. Horieste Gomes. Goiânia:UFG, 1999

Ruy Moreira
2009 GEOgraphia  
Há uma história regional da geografia brasileira que está dispersa ou ainda por se escrever. A Produção Geográfica em Goiás, de Horieste Gomes é um desses casos. Trata-se de um estudo detalhado da produção geográfica de um dos pólos mais vivos da geografia brasileira. Horieste Gomes divide a história da produção geográfica goiana em três períodos: o histórico ou narrativo-descritivo , o igebeano ou institucional e o acadêmico . Desse modo, dá conta de uma vasta produção geográfica no Estado, o
more » ... áfica no Estado, o que certamente se repete regionalmente por todo o país. No primeiro período, que vai da colonização de Goiás (1722) à fundação da AGB/IBGE (1934-1938), Horieste arrola uma pleiade de autores e trabalhos que, a rigor, são mais fontes essenciais para um estudo apurado da produção geográfica em Goiás e entorno do planalto central. Aí encontramos os naturalistas e viajantes, que descreveram com cores vivas as paisagens e a sociedade do tempo. Quem já procurou ler João Emanoel Pohl, Auguste de Saint Hilaire, Richard Francis Burton, Charles Frederick Hart, entende porque Horieste Gomes arrola-os como produtores de geografia em Goiás. Mas encontramos também trabalhos que vão de Pierre Monbeig e Leo Waibel aos geógrafos do IBGE, como Speridião Faissol, Fábio Macedo Guimarães e Orlando Valverde, além de geógrafos de São Paulo como Aziz Ab´Saber, contribuintes para a formação das gerações de geógrafos que irão ocupar seus lugares na produção geográfica em Goiás nos períodos seguintes. A generosidade de Horieste Gomes inclui o brigadeiro Lysias Augusto Rodrigues, a pedagoga Ofélia Sócrates do Nascimento e o auto-didata Zoroastro Artiaga, todos que, em suma, tomaram e dissecaram de alguma forma o painel do espaço goiano do seu tempo como seu tema, deixando o legado destes primeiros estudos. No segundo período, determinado pela presença e influência cientifica marcantes do IBGE, Horieste Gomes faz referência ao que parece ser uma fase de sedimentação da geografia brasileira, que é também goiana, vinculada a uma produção já afeiçoada ao rigor científico da teoria e do método geográficos, e tendo por personagens geógrafos de formação que deixam para trás os viajantes, naturalistas, retratistas e cronistas do primeiro período. Daí Horieste Gomes designá-lo período
doi:10.22409/geographia2000.v2i4.a13394 fatcat:4dtkcndnivatpmr6fpuinprcra