Aristides Volpato Cordioli responde

Aristides Volpato Cordioli
2003 Revista Brasileira de Psiquiatria  
Efetivamente o desenho do trabalho -um ensaio aberto não controlado, sem um grupo de comparação-apresenta limitações na interpretação dos seus resultados. Este tipo de desenho não separa a influência de diferentes fatores nos resultados da terapia: a simples passagem do tempo, os fatores não específicos como as características do terapeuta e do paciente, as técnicas utilizadas e, no presente caso, fatores grupais, como o vínculo com o grupo, a observação dos outros, o incentivo recíproco. É
more » ... vo recíproco. É também impossível separar o efeito das técnicas cognitivas do efeito das técnicas comportamentais de Exposição e Prevenção da Resposta (EPR). De acordo com o depoimento dos pacientes, os exercícios realizados eram cruciais para perderem os medos, mas a identificação das crenças e sua correção contribuíram para uma maior compreensão do transtorno e para mudarem suas convicções sobre a necessidade de executar rituais e sobre a impossibilidade de não executá-los. É impossível, num ensaio aberto, separar o efeito de técnicas tipicamente cognitivas, do efeito obtido com os exercícios de EPR -a habituação. Sabe-se que terapias comportamentais reduzem crenças, e terapias cognitivas têm efeito sobre rituais, embora o mecanismo não esteja bem esclarecido. 1 Vários estudos comparando a eficácia das duas técnicas no TOC mostram que os resultados são semelhantes. 1-4 Um dos estudos observou uma eficácia superior da terapia cognitiva, comparada à terapia comportamental, em reduzir os sintomas depressivos em portadores do TOC 4 -uma comorbidade relativamente freqüente, embora a eficácia em reduzir os sintomas obsessivo-compulsivos fosse semelhante. McLean et al 1 observaram uma leve vantagem da terapia de EPR em grupo com relação à terapia cognitiva (TC) em grupo. Ambas as abordagens foram eficazes em reduzir os sintomas obsessivo-compulsivos, sendo os resultados dos pacientes que realizaram EPR levemente superiores. Curiosamente, os escores dos instrumentos desenhados para medir mudanças cognitivas diminuíram de intensidade tanto na terapia de EPR como na TC.
doi:10.1590/s1516-44462003000100012 fatcat:qxksupxuq5fmbe7ae2slr7g6i4