Astrônomos e apóstolos: um estudo da cultura científica jesuítica entre os séculos XVII e XVIII [thesis]

Giovana Massaretto da Silva
AGRADECIMENTOS Agradecer é umas das ações humanas mais importantes, pois não há como vencer desafios se estivermos sozinhos. Um olhar, um abraço e uma frase de incentivo são essenciais. Não há como ser completo se não tivermos com quem dividir nossas vitórias, por isso aproveito a oportunidade para agradecer, agradecer fortemente... Agradeço aos meus pais, Wanderlei Candido da Silva e Ana Maria Massaretto da Silva, por terem me ensinado, acima de tudo, o valor do respeito e do amor. Agradeço a
more » ... o amor. Agradeço a cumplicidade, as palavras de apoio e as correções, que, dadas nos momentos certos, tornaramme uma pessoa cada dia melhor. Também quero agradecê-los pelo incentivo aos estudos, que, desde os anos iniciais, estiveram ao meu lado. Ao professor doutor Thomás Augusto Santoro Haddad, mais que um orientador, se transformou em um ponto de apoio e um amigo. Este agradecimento tem um valor muito especial, afinal a sua serenidade e calma me fizeram perceber o profissional espetacular e o ser humano mais gentil e mais "humano" que já tive a oportunidade de conhecer. Agradeço pelas contribuições acadêmicas, pelas orientações nos finais de tarde e pelas suaves respostas aos e-mails desesperados. Preciso ainda agradecer por ter acreditado em mim, mesmo quando eu não acreditava mais e, acima de tudo, por me apresentar o universo fascinante em que está inserida a história da ciência. E, pode acreditar, nada seria possível se não fosse você e o conforto dos seus "vai dar tudo certo". Meu muito obrigada! À minha irmã, Raquel Massaretto da Silva, e ao meu cunhado, Thiago Batista de Melo e Silva, por estarem ao meu lado, arrancando-me sorrisos nos momentos mais difíceis. Sou grata por compreenderem minhas ausências e, principalmente, por me livrarem de lavar a louça dos almoços de domingo. Eu amo vocês. À minha amiga e irmã, Noã Torralbo dos Santos, que esteve comigo desde sempre e para sempre. Obrigada pelo apoio nas horas de desconforto e pela presença nos momentos de alegrias e vitórias. Agradeço pelo carinho e amor dedicado a nós e, mais do que isso, por ser minha Lu! À minha amiga historiadora e pisciana, Clecilvânia Mota Pires, pelo companheirismo, pelas risadas, pelas verdades ditas, pelas broncas e pelo carinho. Agradeço as discussões enriquecedoras sobre as questões históricas e pelas reflexões calorosas acerca da vida. Nada seria possível sem o aconchego da sua amizade. À minha amiga e guerreira, Juliana Gomes Nadu, que esteve comigo desde o início da graduação e permanecerá para a vida. Obrigada pelos sorrisos largos, pelas conversas no bandejão e pelas aventuras que se tornaram as idas ao terceiro andar. Você é um exemplo de força e luta! Resistiremos sempre... Às amigas e aos amigos, Amanda Hora, Letícia Benites Pistoni, Camila Nunes Rosa, Michael Ferreira e Victor Matheus Victorino da Costa, pelos momentos de descontração e carinho, os quais, mesmo sem perceberem, foram fundamentais em minha trajetória. Agradeço as meninas da Escola Estadual Florestan Fernandes, Beatriz Bongiovani Cirqueira, Roberta Elaine Silva e Célia Zanardo Pedro, por tornarem as minhas manhãs mais floridas e, por acreditarem, assim como eu, que a educação, por mais desafiadora que seja, ainda é o melhor caminho. Aos meus alunos, que me fazem perceber o quanto minha profissão é importante e, acima de tudo, por me tornarem uma pessoa melhor a cada nova aula... a cada novo dia. Ao amigo Thiago Firmeza Batista, que, mesmo que a vida nos tenha enviado para caminhos distintos, esteve presente e apoiou-me em diversos momentos para a realização desta dissertação. Agradeço ao auxílio nas traduções, nas demonstrações de carinho, no respeito e no companheirismo. Aos professores doutores da banca do Exame de Qualificação, Rogério Monteiro de Siqueira (EACH-USP) e Fumikazu Saito (PUC-SP), pelas relevantes contribuições que enriqueceram meu caminho acadêmico e que, fundamentalmente, tornaram esse trabalho mais relevante. Aos/às professores/as da Escola de Artes, Ciências e Humanidades, do curso de Ciências da Natureza e do programa de Estudos Culturais, que, sabiamente, ensinaram-me além de um punhado de conhecimentos científicos. A todos, minha admiração e o meu amor. Devemos escovar a história a contrapelo. Walter Benjamin (1940) RESUMO SILVA, Giovana. Massaretto da. Astrônomos e apóstolos: um estudo da cultura científica jesuítica entre os séculos XVII e XVIII. 2016. 128 f. Dissertação (Mestrado em Estudos Culturais) -Escola de Artes, Ciências e Humanidades, Universidade de São Paulo, 2016. Versão original. De meados do século XVI a meados do XVIII, a Companhia de Jesus foi, sob diversos aspectos, a ordem religiosa católica de maior influência no mundo. Seus milhares de membros, espalhados pela maior parte do planeta (junto com as outras forças do colonialismo europeu, ou mesmo antes delas), viam-se e eram vistos como indivíduos e integrantes de uma corporação marcadamente distintos do resto do clero. A identidade jesuítica, constitutiva do elevado grau de autonomia relativa da ordem no campo religioso maior, era forjada, em grande medida, nos processos de formação dos futuros religiosos, que ocorriam em uma notável rede de colégios da Companhia (nos quais também recebiam inúmeros estudantes que não aspiravam ao sacerdócio, mas eram igualmente expostos ao "modo de proceder" dos jesuítas). Neste trabalho, buscamos indícios do funcionamento específico desse sistema de socialização cultural, no contexto do Colégio Jesuíta de Santo Antão de Lisboa, e, mais particularmente, em sua notória "Aula da Esfera". Para tal, analisamos dois cadernos manuscritos que contêm anotações feitas por estudantes das aulas ministradas pelos padres Cristoforo Borri, em 1627, e Inácio Vieira, em 1709. Sustentamos que esses documentos dão sinais da existência de uma matriz cultural que, internalizada, predispunha os jesuítas a realizarem suas escolhas e, mais do que isso, moldava uma forma de pensar e ver o mundo. Nos cadernos, a especificidade jesuítica se torna presente quando se identifica a presença constante de atitudes epistemológicas e técnicas pedagógicas típicas da escolástica, sistema que jamais caiu em descrédito na Companhia, mesmo com os ataques crescentes e irreversíveis que sofreu ao longo do século XVII. Palavras -chave: Portugal (1540-1709). Companhia de Jesus. Colégio de Santo Antão -Aula da Esfera. Cosmologia. Identidade e socialização. ABSTRACT SILVA, Giovana Massaretto da. Astronomers and apostles: a study of Jesuit scientific culture in the 17th and 18th centuries. 2016. 128 p. Dissertation (Master"s in Cultural Studies) -School of Arts, Sciences and Humanities, University of São Paulo, 2016. Original version. From the mid-16th to the mid-18th centuries, the Society of Jesus was, under several perspectives, the most influential Roman Catholic religious order in the world. Its thousands of members, scattered over most of the globe (side by side with other agentes of European colonialism, and at times long before their arrival), saw themselves and were seen by others as individuals and members of a corporation markedly distinct from the rest of the clergy. Jesuit identity, constitutive of the high level of relative autonomy of the order inside the larger religious field, was to a great extent forged in the formative processes of future professed members, which took place in a remarkable network of colleges of the Society of Jesus (colleges that also had a huge number of students not destined to priesthood or religious life, but who were nevertheless equally exposed to "the way of proceeding" of the order). In this work, we look for signals of the specific workings of this system of cultural socialization, in the context of the Jesuit College of Santo Antão of Lisbon, particularly in its notorious "Aula da Esfera" (the cosmography and mathematics class). To this end, we analyze two manuscript notebooks containing student notes of the classes given by fathers Critoforo Borri in 1627, and Inácio Vieira in 1709. We sustain that these documents indicate the existence of a cultural matrix that, when internalized, predisposed Jesuits to make their choices and, more than that, shaped a way of thinking and seeing the world. In the notebooks, Jesuit specificity is present when we take notice of the constant presence of epistemological attitudes and pedagogical techniques typical of Scholasticism, a system that never fell off favor in the Society of Jesus even with the mounting, irreversible attacks that Scholasticism suffered during the 17 th century.
doi:10.11606/d.100.2016.tde-14112016-140531 fatcat:u3pp4qbj4ng5fdzqoogjzay4dq