Alas e luas brancas: gênero, performance e música em Chiquinha Gonzaga

Rafael Do Nascimento Cesar
2013 Primeiros Estudos  
Resumo: Esta breve comunicação busca refletir acerca da trajetória da compositora Chiquinha Gonzaga (18471-1935) assim como algumas das estratégias narrativas mobilizadas por seus biógrafos depois de sua morte. E é rastreando as formas de objetivação de seu carisma a partir de suas biografias que se pode compreender de que forma as convenções de gênero estão articuladas à produção de bens simbólicos. Palavras-chave: Chiquinha Gonzaga, gênero, biografia. No dia 17 de outubro comemorou-se o Dia
more » ... omemorou-se o Dia Nacional da Música Popular Brasileira. A lei que institui a data dentro do "calendário das efemérides nacionais" 1 pode ser considerada como um pequeno, mas significativo, ato simbólico que assinala como patrimônio imaterial nacional um produto cultural específico e, ao mesmo tempo, confere-lhe uma guardiã, ou mesmo uma "mãe fundadora". Segundo o deputado Fernando Ferro (PT/PE), "A adoção desse dia é uma forma de homenagear a primeira maestrina do país, que, em pleno século XIX, quando predominava a música europeia nos salões da aristocracia brasileira, desafiou os costumes de sua época e ousou trazer os ritmos africanos para suas composições musicais" 2 . De uma forma ou de outra, falar sobre Chiquinha Gonzaga é quase sempre falar em transgressão ou em algum tipo de ousadia heroica. Dentre os vários tipos de registros que pude consultar no tempo em que realizei esta pesquisa, a tônica ia muito frequentemente em direção de transmitir ao público leitor -ou ouvinte -uma característica pessoal da compositora que acabou por definir não somente seu modo de compor, mas também aspectos da dinâmica cultural brasileira do século XIX: o pioneirismo. * Graduando em Ciências Sociais -USP.
doi:10.11606/issn.2237-2423.v0i4p24-33 fatcat:wnhek463ijezzct2v3w3jhsgmq