Technofeminism; de Judy Wajcman

Maria Conceição Da Costa
2009 RECIIS  
Muito se tem escrito a respeito da idéia da tecnologia como libertadora ou constrangedora. Apontamentos utópicos, pós-industriais, otimistas e pessimistas de diferentes matizes enfatizam que a tecnologia nos libertaria das regras do mundo do trabalho, do mundo doméstico ou, ao contrário, a ciência e a tecnologia perpetuariam as relações de gênero. No campo das análises das relações de gênero, as análises feministas da tecnologia aparecem, ainda, de forma emergente e exploratória, começando a
more » ... inear sua abrangência e a consolidar seus referenciais analíticos em grande medida enfatizando os aspectos negativos da tecnológica. Pensar a tecnologia a partir de uma perspectiva de gênero implicaria apontar que os artefactos tecnológicos são desenhados e conformados por relações de gênero, através de seus usos e significados, perpetuando-se as diferenças e as relações de poder. Em 1986, em uma resenha das obras pioneiras de autoras como Evelyn Fox Keller e Ruth Bleier, para a revista Signs, Anne Fausto-Sterling apontava três razões para explicar a defasagem que encontrava entre o conjunto dos Women's Studies e as análises feministas das ciências (e da tecnologia). Essas razões continuam atuais e desafiantes para retomar uma reflexão sobre a situação desse campo de estudos. De 1960 até 1986 os Women's Studies haviam se diversificado, aprofundado e frutificado de tal maneira que, em alguns campos disciplinares como na História, começavam a surgir sumários retrospectivos e análises do "estado da arte" do campo de pesquisas. Os anos de 1980 marcaram o período em que autoras como Joan Scott sistematizavam suas produções e começariam a ser traduzidas parcialmente no Brasil nos anos de 1990.
doi:10.3395/reciis.v2i2.225pt fatcat:f7h4ta6xt5bjffkf64jdq6ulya