Realidade e valores de verdade no Tractatus de Wittgenstein: uma defesa de uma concepção realista dos objetos

Fernando Sposito Yokoyama (USP)
2014 Intuitio  
Resumo: No Tractatus Logico-Philosophicus de Wittgenstein, os sentidos proposicionais são explicados por meio de uma teoria da representação. Isso porque, nesta obra, Wittgenstein sustenta que uma proposição expressa um sentido na medida em que ela representa uma situação na realidade. Segundo a leitura denominada realista, a teoria tractariana da representação inclui a postulação de objetos simples que seriam, em um certo sentido, independentes da linguagem. Pode-se dizer, então, que essa
more » ... ra defende uma concepção realista dos objetos do Tractatus e atribui à obra teses que enunciariam as propriedades últimas de um domínio real independente. Já os proponentes da leitura denominada antirrealista recusam uma concepção realista dos objetos e, por conseguinte, recusam que o Tractatus contenha teses acerca de um domínio real independente, pois eles sustentam que essas teses dizem respeito apenas à ordem lógica dos nossos sistemas de representação preservada na realidade representada. Essas duas leituras baseiam suas posições em suas respectivas interpretações acerca do modo como, segundo o Tractatus, os sentidos proposicionais são estabelecidos. Neste artigo, pretendo mostrar que, embora essas duas interpretações acerca dos mecanismos de determinação do sentido proposicional encontrem apoio textual, a resposta para a questão de se o Tractatus possui, ou não, uma concepção realista dos objetos e teses acerca de um domínio real independente não depende de qual delas é a correta. Isso porque apenas em uma leitura realista é possível explicar a possibilidade de um valor de verdade para as proposições. Palavras-chave: Tractatus. Logico-Philosophicus. Ontologia. Valor de Verdade. Abstract: In Wittgenstein's Tractatus Logico-Philosophicus, the sense of the propositions are explained by means of a theory of representation. This is because Wittgenstein maintains in this work that a proposition expresses a sense insofar as it represents a situation in reality. According to the so-called realist reading, the tractarian theory of representation includes the postulation of simple objects that would be, in a certain sense, independent of language. One can say, then, that this reading supports a realist conception of the objects of the Tractatus, and ascribes to it theses that would state the ultimate properties of an independent reality. On the other hand, the proponents of the so-called anti-realist reading refuse a realist conception of the objects and, accordingly, refuse that the Tractatus contains thesis about an independent reality, for they maintain that these theses concern only the logical order of our systems of representation preserved in the reality that is represented. These two readings support their positions on the basis of their respective interpretations of the way in which, according to the Tractatus, the senses of the propositions are established. In this paper, I try to show that, although these two interpretations about the mechanisms of determining propositional senses have textual support, the answer to the question about whether the Tractatus contains, or not, a realist conception of the objects and thesis about an independent reality does not depend on which one is correct. This is because only on a realist reading it is possible to explain the possibility of a truth value for the propositions.
doi:10.15448/1983-4012.2014.2.17543 fatcat:y5elkppvtzfwzhvcvdwrvxghpq