Fotografia e império: paisagens para um Brasil moderno

Raquel Paterman Brasil
2014 Interseções Revista de Estudos Interdisciplinares  
Resenha Fotografia e Império: paisagens para um Brasil moderno natalia Brizuela companhia das letras; instituto Moreira salles São Paulo, 2012, 248 páginas Nascida na Argentina, Natalia Brizuela é professora na Universidade de Berkeley, na qual desenvolve pesquisas sobre literatura latino-americana. Sua formação em artes talvez explique o interesse por imagens presentes em "Fotografia e Império". Situado entre outros trabalhos da autora que se valem de registros fotográficos ou
more » ... ou cinematográficos, este livro focaliza a relação entre a fotografia e a emergência da modernidade: nele, Brizuela discute como a fotografia participa da imaginação sobre o Brasil no século XIX, integrando, sob a forma de paisagens e retratos, narrativas articuladas por imagens de natureza. Conforme Flora Süssekind sugere na apresentação ao livro, as paisagens que frequentam "Fotografia e Império" não parecem obedecer a usos estritamente documentais ou ilustrativos. Conformando discursos, essas fotografias condensam as ideias em circulação no contexto social e cultural em que se inscrevem, servindo, antes de mais nada, como material produtivo à investigação histórica. O foco de Natalia Brizuela sobre a fotografia revela, por outro lado, uma abrangência capaz de contestar seu enquadramento em molduras estritamente históricas. Sua abordagem se apresenta produtiva a reflexões sobre pensamento social no Brasil. A autora discute como as paisagens do território nacional, proporcionadas pelo advento da técnica fotográfica, integram uma produção de imagens de Brasil em curso na escrita literária, científica e historiográfica. A seu ver, tais paisagens não apenas comportam reflexões sobre o país, como também agenciam determinadas maneiras de observá-lo. Em outras palavras, elas podem ser reconhecidas nas bases da imaginação sobre o Brasil. O livro é constituído por quatro capítulos: o primeiro se intitula "Para cada dia, um mapa: d. Pedro II, os românticos, o IHGB e a visualização do Brasil"; o segundo, "O som da natureza, ou escrevendo com luz nos trópicos:
doi:10.12957/irei.2014.16602 fatcat:g3ksoesblvfibhzivj22g3d44a