Como pensar o capitalismo contemporâneo? Considerações preliminares

Fabrício Maciel, Patrícia Mattos
2020 Sociedade e Estado  
O capitalismo na ordem do dia D esde a crise financeira de 2008, o capitalismo volta a ter centralidade nos debates da teoria social. Não só são feitas análises sobre o futuro do capitalismo, como também sobre as inter-relações entre as múltiplas criseseconômica, política, ecológica e da reprodução social -que assolam diversos países capitalistas ricos. Nesse sentido, é bastante pertinente a colocação de Boaventura de Sousa Santos (2020) sobre o desvirtuamento do sentido etimológico da palavra
more » ... ológico da palavra crise, que presume ser algo excepcional e transitório, e passa a ser, com o advento do neoliberalismo, institucionalizada e normalizada. A crise sanitária causada pelo coronavírus exacerba e atualiza as críticas feitas por vários intelectuais ao capitalismo contemporâneo. A atual pandemia evidencia a importância do Estado, de políticas públicas sérias e a gravidade da pobreza e das abissais desigualdades sociais do neoliberalismo global, ao mesmo tempo em que abre brechas para se pensar em possibilidades de novos pactos sociais. Intelectuais críticos 1 têm-se dedicado a discutir alternativas de sociedade para além do experimento neoliberal. Sem dúvida, são relevantes esses esforços para criticar os modos dominantes de viver e vislumbrar outras formas de vida possíveis, contudo, não é objetivo do dossiê que aqui apresentamos fazer análises de conjuntura. Ainda que alguns autores tenham feito referência à pandemia em seus artigos, esse não foi o mote das reflexões, com exceção de Klaus Dörre, que dedica à pandemia uma parte de seu artigo 2 e de Thomas Kühn, Daniela Gomes Alcoforado e Miriam Leite Farias, que desenvolvem como base de sua análise um estudo empírico realizado no Brasil durante a pandemia. Nossa intenção neste dossiê é propor um debate, a partir de um enfoque histórico-teórico e empírico, sobre as mudanças estruturais do capitalismo contemporâneo e suas múltiplas interpretações. Interessou-nos não só tratar das macro transformações do capitalismo, mais especificamente, daquelas ligadas à lógica do neoliberalismo, da financeirização e da globalização, como também analisar suas especificidades aqui no Brasil.
doi:10.1590/s0102-6992-202035030001 fatcat:nhwmdpqymbdv7kec3xg42z2ilm