Juventude e esfera pública: o culto à imagem e as saídas juventudes contemporâneas

Maria Giovanna, Machado Xavier
2013 unpublished
Em continuidade a um primeiro trabalho (A droga do toxicômano no contexto das juventudes contemporâneas), que buscou uma aproximação do um conceito de juventude, cujo contexto de produção é a sociedade da informação, caracterizada pela complexificação e expansão tecnológica, a proposta deste artigo é analisar os processos de formação da subjetividade, pela via da psicanálise, a partir das noções lacanianas de Real, Simbólico e Imaginário, a partir das discussões atuais sobre juventude e esfera
more » ... juventude e esfera pública. As sociedades capitalistas vêm passando por transformações muito grandes e rápidas, na modernidade contemporânea, principalmente nos últimos 20 anos, mostrando a diversidade como marca das identidades que se desenvolvem, em função dos laços de pertença e das significações produzidas pelos recursos midiáticos na era da informação. Com a finalidade de levantar questões acerca da produção da subjetividade, a partir da psicanálise, é importante que se perceba a importância da linguagem na formação das identidades, que desde Freud é questão central na prática psicanalítica. As significações das identificações devem ser buscadas nos próprios sujeitos, uma vez que a produção cultural, do ponto de vista do produtor pouco tem a revelar, já que os significados das enunciações se põem em relação com o Outro da linguagem, presente na cadeia discursiva dos sujeitos, tornando difícil um controle dos jovens. Mas a compreensão dessa multiplicidade de sentidos e a avaliação das transformações provocadas pela informatização, nas esferas institucionais estão em curso e podemos lançar mão destas, para também tentar vislumbrar as possibilidades e limites das juventudes, do ponto de vista de sua constituição, pela via das linguagens. Partindo da noção de signo em Lacan (1998) e da noção de representação em Derrida, o pós-estruturalismo pode lançar luz sobre os processos de constituição dos sujeitos. Essa concepção de linguagem vai além da visão estruturalista que marca a concepção do signo saussuriano, presente nas concepções tradicionais de linguagem, que têm a mesma como um sistema de comunicação em que produtor e receptor decodificam os símbolos, cujo significado já-lá, fechado no próprio signo, que embora arbitrário, encerra em si mesmo um único significado. A psicanálise, de Freud a Lacan concebeu a linguagem como simbólica, de forma que os sentidos sociais das enunciações não se põem em relação com o real, mas sim com o material simbólico de que se constitui o sujeito. As significações são produzidas na interação entre os enunciados e a cadeia discursiva do sujeito, representado aqui como o Outro do discurso, composto por todos os discursos lidos pelos sujeitos.
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