FAMÍLIA E PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADE: O CAOS, O MÚLTIPLO E O MUTÁVEL PELA VIA DA IMANÊNCIA

Gabriela Reis Saraiva
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RESUMO: Esse estudo tem como tema a família como produtora da subjetividade de seus membros em meio a tantos outros agenciamentos que compõe a rede social. Seu objetivo é investigar estudos na teoria de família, focando os membros familiares em relação e compreender a família como potencializadora de processos de subjetivação. A Esquizoanálise de Deleuze e Guattari é o marco teórico do trabalho, pensando a dinâmica familiar como uma produção inventiva e possibilitadora de novos modos de vida e
more » ... os modos de vida e como revolução que permite o deslocamento da subjetividade no dentro-fora familiar. Tais processos são imanentes e se inter-relacionam no território familiar, produzindo na dimensão de processos de subjetivação, sujeitos singulares a cada encontro e acontecimento. A metodologia utilizada é a pesquisa teórica que possibilita o engendramento do novo, do criati-vo e do inventivo no que tange à percepção de pesquisas anteriores, bem como estudar o processo de produção de subjetividade dos membros familiares com base na sua interação, conexão e reterritorialização na família e na sociedade mais ampla. Dessa forma, buscou-se rastrear em um plano de imanência, a multiplicidade e heteroge-neidade no qual a subjetividade está presente, percorrendo fluxos de movimento conectivo que abarcam a famí-lia-rizoma e seus múltiplos efeitos na subjetividade dos membros familiares. Os resultados finais revelaram a complexidade da temática que também atua como rizoma com processos ora reprodutivos, ora inventivos, além de apontarem a família como dispositivo que engendra-se na diferença da dinâmica familiar, produzindo subjeti-vidades e modos de existência que configuram re-invenções e re-singularizações. PALAVRAS-CHAVE: Família; Dinâmica familiar; Produção de subjetividade; Esquizoanálise. 1 INTRODUÇÃO A família na contemporaneidade exibe transformações múltiplas nos permitindo expe-rienciar processos de criação e invenção bem como de alienação e reprodução, potencializan-do a produção de subjetividade mesmo no "entre" de tantos agenciamentos maquínicos e dis-cursivos a que estamos expostos. No decorrer da prática em estágios realizados, houve a oportunidade de atender uma família que despertou curiosidade e vontade de entender melhor o funcionamento familiar, por denunciar uma forma de organização muito comum na atualidade: as famílias extensas. A partir dessa percepção, foi possível observar como famílias nucleares estão se dis-tanciando da realidade na pós-modernidade, de modo que a configuração familiar vem pas-sando por grandes modificações e rearranjos. As novas configurações familiares que operam o funcionamento familiar são explicitadas diariamente empreendendo modos possíveis de rela-ção, fomentando assim novos sentidos de convívio, interação e realidade. Outro ponto que tive a chance de verificar durante os atendimentos foi a influência que a família produz na subjetividade de seus membros e como isso afeta o dia a dia dos membros que dela participam. A essa primeira motivação, a problematização se deu da seguinte forma: 1 Psicóloga CRP 04/43450. Graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
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