DISCURSO E METODOLOGIA: tensão na análise 1

Marlon Rodrigues
unpublished
No funcionamento da linguagem, como veremos, o seu sujeito é constituído por gestos de interpretação que concernem sua posição. O sujeito é a interpretação. Fazendo significar, ele significa. (ORLANDI, 2001, p. 22). Resumo O artigo visa abordar sobre alguns aspectos metodológicos da Análise do Discurso de linha francesa, e principalmente no que se refere à ocupação do MST. Averiguou-se assim o corpus dos editoriais do Jornal do MST que compreendeu o período de 1981 (no. 01, 15/05/1981) até
more » ... 5/05/1981) até 2004, (no. 240, 05/2004), optou-se pelo editorial por revelar-se ser um espaço que expressa as orientações ideológicas dos enunciados. Logo constatou-se nas análises um equilíbrio importante diante da observância da materialidade discursiva e da abordagem histórica. Desse modo, a análise mostrou-se um enfoque reflexivo dentro da proposta metodológica, delineado dentro de uma diversidade de questões sem esquemas e modelos estruturados. Palavras-chave: Análise do discurso. MST. Abordagem histórica. Materialidade discursiva. Introdução A Análise do Discurso de linha francesa (AD), ao reivindicar um campo específico para si no domínio da Linguística, ela o faz, mas não da forma que se entende por disciplina da Linguística, ou seja, não da forma tradicional: circunscrever um objeto sem romper com o paradigma no nível da definição de língua e da própria questão metodológica inscrita no estruturalismo. A AD não apenas desestabiliza o "sentido" (PÊCHEUX, 1997) de língua como também rompe a proposta metodológica de Saussure, proposta que deu o status de ciência à Linguística: a definição do objeto e a metodologia de análise. Não bastasse esta intervenção desestabilizadora, a AD ainda vai articular com a Linguística para compor o seu domínio, duas outras áreas do conhecimento, a Psicanálise, relida por Lacan e o Marxismo, na leitura de Althusser. Esta articulação, de acordo com Pêcheux (1997) e Orlandi (1999), é uma "disciplina de entremeio", não se deixa absorver nem pelo marxismo e nem pela psicanálise, abre o seu próprio espaço de trabalho no limite do linguístico com o social.
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