INTERVENÇÃO ENUNCIATIVA COMO VONTADE DE POTÊNCIA NIETZSCHEANA: O PERSONAGEM QUE CONTESTA O NARRADOR ONISCIENTE EM "A BARCA OU NOVA VISITA A VENEZA" DE JULIO CORTÁZAR

Humberto Fois-Braga
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Resumo: O artigo objetiva compreender como Julio Cortázar, ao propor uma estética de revisão para seu conto "A barca" (1944), acaba por construir uma metáfora da vontade de potência nietzscheana quando, finalmente, o conclui-o com o título de "A barca ou nova visita a Veneza" (1966). Com a crítica literária pelo viés da filosofia nietzscheana, o artigo conclui que as falas em primeira pessoa de Dora, que irrompem na versão final, causam uma reinterpretação do conto, pois ela traz à cena
more » ... traz à cena motivações ignoradas pelo narrador onisciente do manuscrito. Com isso, Dora arranha com sua vontade de potência um discurso que se desejava neutro. Palavras-chave: vontade de potência; manuscrito; reescrita; Julio Cortázar. Introdução Em que sentido a revisão de um manuscrito representa a vontade de potência nietzscheana? E mais: como uma estética enunciativa, posta em prática para acolher o texto-primeiro, serve a uma tripla finalidade: crítica autoral, revisão do já escrito e pedido de desculpas à tal obra de influência?
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