As provas da imortalidade da alma no Livro I das Discussões Tusculanas de Cícero [thesis]

Lucas Borges
a orientação e a iniciativa de investigar o pensamento ciceroniano. Ao Prof. Dr. João Bortolanza a incansável dedicação de nos ensinar latim e o interesse na filosofia de Cícero. Em particular, a atitude de mestre de nos ensinar o latim através dos textos filosóficos de Cícero, com os quais pudemos realizar duas iniciações científicas. Ao Prof. Dr. Stéfano Paschoal sua boa vontade e forte paciência em nos ensinar a língua alemã e nos ajudar e incentivar na leitura da tradução alemã das
more » ... alemã das Discussões Tusculanas (Gespräche in Tusculum) de Olof Gigon, que contribuiu com minha pesquisa por seu grande aparato crítico. Ao Instituto de Filosofia (Ifilo) reforçar o pedido de um curso de língua à direção do Instituto Goethe do Rio de Janeiro e ter sido o lugar onde tenho aprendido cada vez mais sobre filosofia. Ao Instituto Goethe de Berlim, Alemanha, ter-me oferecido todo o suporte no estudo da língua alemã. Ao Professor Dr. Martin Voehler a recepção na Freie Universität Berlin e as indicações de leitura. Ao Prof. Dr. Wolfgang Neuber a acolhida e a amizade. À minha querida Shanti de França Nogueira a paciência. Aos meus tios queridos, Léo e Simone, acreditarem em mim. E aos meus pais, Paulo Marques Borges e Maria de Fátima Borges, bem como à minha avó, tudo. "O rigor dogmático está completamente distante deste livro." "Dogmatische Strenge ist diesem Buche völlig fern." (O. Gigon sobre as Discussões Tusculanas) RESUMO Esta dissertação tem como objetivo principal apresentar e discutir as provas da imortalidade da alma no Livro I das Discussões Tusculanas, de Cícero, uma obra filosófica escrita em forma de diálogo em que se discute, dentre outras coisas, por que o homem não deve temer a morte. Antes de abordar o tema de forma direta, Cícero apresenta no proêmio ao Livro I sua concepção acerca da filosofia e da necessidade de produzir filosofia em latim. Quanto a seu tema, o diálogo do Livro I pode ser dividido em dois grandes momentos: o primeiro consiste numa argumentação favorável à imortalidade da alma, que prova que a morte é um bem (parágrafos 18 a 71); e o segundo consiste na ressalva de que a morte não apenas é um bem, mas sequer pode ser um mal (parágrafos 82 a 119). Alinhados ao objetivo principal deste trabalho e munidos de diferentes traduções que nos permitiram o trabalho de cunho filológico, quando necessário, e nortearam, pelas notas e indicações de bibliografia secundária, grande parte de nossa pesquisa, analisamos a primeira parte do Livro I, mostrando que, para Cícero, a argumentação em favor da imortalidade da alma é primorosa e digna de filósofos superiores (Platão e Aristóteles). Constatamos, também, que a imortalidade da alma, como uma doutrina da filosofia antiga, havia sido negada pelas correntes helenistas, o estoicismo e o epicurismo. Cícero rejeita o ponto de vista do estoicismo sobre a duração das almas e despreza a prova da mortalidade de Epicuro. Quatro são as provas da imortalidade da alma encontradas no Livro I. Delas constam os seguintes argumentos: consensus omnium gentium, a alma como ar aquecido, a alma como princípio de movimento e a alma como quinta natureza. Para este trabalho, os dois últimos são de maior importância: o argumento da alma como princípio de movimento, extraído do diálogo Fedro, de Platão; e o argumento da alma como quinta natureza, noção retirada dos diálogos perdidos de Aristóteles, já que, com eles, Cícero demonstra que a alma é eterna e divina, estabelecendo uma diferença entre a natureza da alma e a natureza do corpo. Como poderá ser visto na conclusão, a imortalidade da alma restringese à mente, parte da alma provida de razão. Permanecendo após a morte do corpo, a alma possui percepção e é dotada de inteligência, tem a mesma natureza de deus e, assim, pertence à região celeste. Palavras-chave: Discussões Tusculanas, provas da imortalidade da alma, princípio de movimento e quinta natureza. ABSTRACT This dissertation aims at presenting and discussing the proofs for immortality of the soul in Book I of the Tusculan Disputations by Cicero, a philosophical work written in the form of a dialogue in which why man must not fear death is discussed. Before directly approaching the theme, in the proem to Book I, Cicero presents his conception about philosophy and about the requirement of producing philosophy in Latin. Concerning its subject, the dialogue of Book 1 can be divided into two great parts: the first one consisting of an argumentation favourable to the immortality of the soul, that proves death is something good (18-71) , and the second one, consisting of a reservation that death is not only something good, but it cannot be something bad (82-119). In accordance to the main goal of this work and based on several different translationswhich allowed us to do the work with a philological stance where necessary, and which guided a great part of our investigation through notes and valued suggestions of a secondary bibliographywe analysed the first part of Book 1, showing that the argumentation in favour of the immortality of the soul, is according to Cicero, absolute and praiseworthy to the best philosophers. We also noticed that the immortality of the soul had been denied as an axiom of ancient philosophy by Hellenistic thought, such as Stoicism and Epicureanism. Cicero refuses the Stoic views about duration of the souls and despises the Epicurean concept on the proof of the mortality of the soul. There are four proofs of immortality of the soul in Book 1, in which we can find the following discussions: the argument consensus omnium gentium, the soul as warm air, the soul as the principle of movement and the soul as the fifth nature (quinta natura). For this work the last discussions are the most important ones: the discussion of the soul as a principle of movement, from Phaidro by Plato and the discussion of the soul as the fifth nature from the lost dialogues of Aristotle, by means of which, Cicero demonstrates that the soul is eternal and divine, thus, establishing a difference between the nature of the soul and the nature of the body. As it may be seen in the conclusion of this work, the immortality of the soul is restricted to the mind, a part of the soul, provided with reason. Remaining after death of the material body, the soul owns perception and intelligence, as it presents the same nature of god, thus pertaining to the celestial realms. Keywords: Tusculan Disputations, proofs of the immortality of the soul, principle of movement, fifth nature. ZUSAMMENFASSUNG In der vorliegenden Arbeit ist das Hauptziel die Vorstellung und Diskussion der Beweise der Unsterblichkeit der Seele im Ersten Buch der Gespräche in Tusculum von Cicero, einem philosophischen Werk in Form eines Dialogs, in dem u.a. diskutiert wird, warum der Mann den Tod nicht befürchten muss. Bevor er auf das Thema direkt eingeht, stellt Cicero im Proömium des ersten Buches seine Auffassung über die Philosophie und über die Notwendigkeit vor, Philosophie auf lateinisch zu schreiben. Gemäβ des Themas kann der Dialog des ersten Buches in zwei Teile geteilt werden: der erste Teil besteht darin, eine positive Argumentation für die Unsterblichkeit der Seele vorzustellen, und ist in der Lage, zu beweisen, dass der Tod etwas Gutes sei (18-71). Der zweite Teil besteht darin, zu beweisen, dass der Tod nicht nur etwas Gutes sei, sondern auch dass er kein Unglück sein kann (82-119). Das Hauptziel der vorliegenden Arbeit betrachtend und mit unterschiedlichen Übersetzungendie uns auch eine philologische Forschung ermöglicht haben, wo es nötig gewesen ist und die unsere Forschung durch Anmerkungen und Bemerkungen geführt haben analysierten wir den ersten Teil des ersten Buches und zeigten, dass die Argumentation für die Unsterblichkeit der Seele nach Cicero am bedeutungsvollsten und den besten Philosophen (wie z.B. Plato und Aristoteles) würdig ist. Festgestellt haben wir auch, dass die Unsterblichkeit der Seeleals eine Doktrin der alten Philosophievon zwei hellenistischen Schulen (Stoizismus und Epikurismus) verneint worden war. Cicero lehnt die Ansicht des Stoizismus über die Dauer der Seelen ab und verachtet Epikurs Beweis der Sterblichkeit der Seele. Vier Beweise der Unsterblichkeit der Seele können im ersten Buch betrachtet werden, unter denen folgende Argumente zu finden sind: consensus omnium gentium, die Seele als Luft-Feuer-Natur, die Seele als Bewegungsprinzip und die Seele als quinta natura (fünfte Natur). Für diese Arbeit sind die zwei letzten Argumente von gröβerer Bedeutung: die Seele als Bewegungsprinzip, aus dem Dialog Phaedro von Plato; und die Seele als quinta natura, aus den verlorenen Dialogen Aristoteles. Durch sie beweist Cicero, dass die Seele ewig und göttlich ist und so setzt er einen Unterschied zwischen der Natur der Seele und der Natur des Körpers fest. Wie man im Fazit dieser Arbeit sehen kann beschränkt sich die Unsterblichkeit der Seele auf mens, den Teil der Seele, der Vernunft besitzt. Nach dem Tod des Körpers überlebt die Seele. Sie besitzt Fähigkeiten und kann wahrnehmen. Auβerdem besitzt sie Vernunft, ist aus derselben Natur wie Gott und folgenderweise gehört sie zur Himmelsregion.
doi:10.14393/ufu.di.2016.4 fatcat:klu7c3od7zcajar56s6xe7klrm