O DISCURSO SEPARATISTA SOBRE O PORTUGUÊS DO BRASIL, NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX: O TOM

Judite Gonçalves De Albuquerque
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RESUMO: Este artigo pretende evidenciar o tom que caracteriza a polêmica entre separatistas e legitimistas sobre o português do Brasil, naturalmente modificado nos anos de colonização; os primeiros vendo como positiva essa diferenciação, fazendo tudo para apressar o processo, e os segundos-"guardiães da vernaculidade"-querendo estancar a sua marcha. PALAVRAS-CHAVE: O Português do Brasil; análise de discurso; Lingüística. Introdução Nos anos de colonização que precederam o século XIX, a língua
more » ... ulo XIX, a língua portuguesa falada no Brasil foi se transformando em uma modalidade bem diferente da falada/escrita em Portugal. Fato incontestável, a diversidade lingüística tornou-se o tema preferido de intermináveis polêmicas entre separatistas (homens de "humor" romântico) e legitimistas (homens de "humor" clássico). Os primeiros, embriagados pelo ideário de liberdade, viam como positiva a diferenciação lingüística entre Brasil e Portugal e queriam apressar o curso da diferenciação; os segundos, "guardiães da vernaculidade", viam como negativa essa diferenciação e queriam estancar a sua marcha. Mergulhados no momento político da independência nacional e familiarizados com os discursos histórico-políticos, filosóficos, estéticos e científicos que circulavam na Europa, no século XIX, os separatistas assumem a responsabilidade de construir a nação brasileira autônoma e livre, através da luta pela autonomia da língua e da literatura nacional. O entusiasmo e a euforia com que militantes participaram de tantos movimentos libertários no século XIX impregnaram os enunciados. O tom dos discursos reflete as mudanças pelas quais o país estava passando, evidencia a enorme valorização do sentimento da nacionalidade, a exaltada rebeldia frente a qualquer tipo de imposição e a luta pela total libertação da tutela portuguesa. Para a realização deste trabalho, elegemos como referência básica a teoria do enunciado de Michel Foucault (1986), sem, contudo, exauri-la, trabalhando em linhas gerais
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