A CONDIÇÃO DE SER DO MUNDO HANNAH ARENDT E O SENTIDO DA POLÍTICA

Bárbara Romeika, Rodrigues Marques
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RESUMO: O pensamento de Hannah Arendt converge à interpretação do sentido da política no mundo moderno. Propõe investigar a condição humana quando seus principais valores afluem aos ditames da produção e consumo, e quando já não se instaura um ambiente comum de relações plurais entre os indivíduos. Qual seria, nesse meio, o sentido da ação e o que significaria uma vida ativa frente aos imperativos do mundo moderno? Com o direcionamento da condição de ser do mundo e não apenas habitá-lo, sua
more » ... habitá-lo, sua Filosofia propõe uma reflexão antes conectada à necessidade do cuidado com o mundo. Afinal, qual o sentido de uma interação que não se alia à busca do ambiente plural ou, antes, como configurar as relações que não convergem à ação entre iguais e não promove entendimentos à condição de seu próprio tempo? O mundo moderno acompanha a perda da habilidade com a vida ativa e a ação política periga desaparecer de vez do cenário das relações significativas. Sem pretender, contudo, sintetizar um modelo pronto ou uma fórmula imediata a intervir num mundo já comprometido em suas significações, há o esforço arendtiano em identificar a ação onde a própria condição de ser humano desencadeie a possibilidade de intervir positivamente no meio de interações humanas. Afinal, "será que a política tem de algum modo um sentido"? Palavras-chave: política, Arendt, mundo moderno A experiência de agir e falar seriam desnecessárias se a condição humana não se validasse essencialmente no discurso. É a linguagem, em seu emaranhado de possibilidades e mediações, que molda tudo aquilo que o humano vem a configurar dentro desse palco onde atua. É, pois, no âmbito dessa atuação que seu contexto se instaura e é por intermédio de suas sínteses conceituais e vivências linguísticas que ficam estabelecidos os elementos da ação. Àqueles outros animais que não dispõe do artifício elaborado da fala, do sentido e da difusão de ideias, resta a repetição da condição de existência e o suprimento dos imperativos vitais. O humano, pois, ao ser capaz de disseminar seus feitos, empreender significantes para suas vivências, intervir acerca do contexto continuamente passível de demarcações, exprime a si mesmo e fomenta a esfera pública. Na ação o indivíduo faz validar sua condição de humano. Na propriedade de sua singularidade, faz valer, a partir do discurso, a habilidade em lidar com o novo.
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