Análise do Comportamento e Participação do Agronegócio na Composição do Produto Interno Bruto (PIB) Brasileiro: Um Estudo da Série Temporal de 1996 a 2017

Edenis Cesar Oliveira, Nilton Cezar Carraro
2019 Brazilian Journal of Development  
Muito se tem falado sobre a notória contribuição do agronegócio na balança comercial brasileira. Este estudo tem como objetivo analisar o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro de 1996 a 2017, sobretudo sua participação no PIB nacional, considerando os segmentos Insumos, Agropecuária, Indústria e Serviços no âmbito dos ramos Agrícola e Pecuário. Analisou-se a série temporal de valores do PIB do Agronegócio no período de 1996 a 2017, contida no banco de dados do
more » ... banco de dados do CEPEA, aplicando análises estatísticas como teste de normalidade e correlação de Pearson. Os resultados evidenciaram um decréscimo de 32% da participação do agronegócio no PIB nacional no período analisado. O menor coeficiente de correlação foi encontrado nas variáveis Ins_AGR e Serv_PEC (0,935) com coeficiente de determinação (r 2 ) de 0,8742, indicando 87,42% de associação. Por outro lado, o maior coeficiente é de 0,999 entre Serv_AGR e Tot_AGR, com coeficiente de determinação de r 2 =0,9980 (99,80%). Palavras -chave: Agronegócio. Agronegócio Brasileiro. Economia Agrícola. PIB. PIB do Agronegócio. ABSTRACT Much has been said about the notable contribution of agribusiness in the Brazilian trade balance. This study aims to analyze the behavior of the Brazilian Gross Product (GDP) of the Brazilian agribusiness from 1996 to 2017, mainly its share in the national GNP, considering the segments Agricultural Inputs, Farming, Industry and Services in the Agricultural sector and Livestock. Analyzed the time series of Agribusiness GDP values from 1996 to 2017, contained in the database of the CEPEA, applying statistical analysis as a test of normality and correlation of Pearson. The results showed a 32% decrease in agribusiness participation in the national GDP in the analyzed period. The lowest correlation coefficient was found in the Brazilian Journal of Development Braz. J. of Develop., Curitiba, v. 5, n. 11, p. 24042-24064 nov. 2019 ISSN 2525-8761 24043 variables Ins_AGR and Serv_PEC (0.935) with coefficient of determination (r2) of 0.8742, indicating 87.42% of association. On the other hand, the highest coefficient is 0.9999 between Serv_AGR and Tot_AGR, with coefficient of determination of r2 = 0.9980 (99.80%). O Brasil, através de seus atores empresariais desempenharam um papel relevante na globalização econômica, materializado pela sua crescente integração na economia global via comércio e fluxos de capital, a tal ponto de, em muitos casos ser referido simplesmente como "globalização empresarial" (EVANS, 2005; McMICHAEL, 2005), exercendo um protagonismo tanto econômico quanto político (HOPEWELL, 2013). No âmbito desse contexto mais amplo, a agricultura brasileira vem passando por profundas transformações desde a década de 1960. Estudos apontam que o agronegócio brasileiro representa mais da metade do saldo da balança comercial, um terço do produto interno bruto (PIB), além de parcela relevante dos empregos na economia (VIEIRA FILHO e GASQUES, 2016). O agronegócio continua se despontando como segmento de significativa relevância na economia nacional. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, que, para fins metodológicos, entende o agronegócio como a soma de quatro segmentos (insumos para a agropecuária, produção agropecuária básica ou primária, agroindústria e agrosserviços), a participação do segmento no Produto Interno Bruto para o ano de 2017 foi de 21,6%, com uma média de 24,63% quando considerado o período de 1996 a 2017 (CEPEA, 2018). A definição conceitual de agronegócio advém da própria vinculação dinâmica da produção primária às atividades dos segmentos a montante e a jusante (DAVIS e GOLDBERG, 1957). Em outras palavras, é compreendido por uma cadeia de operações que envolve desde a fabricação de insumos, a produção no interior das fazendas, a indústria de transformação (agroindústria), a logística (distribuição e suas interfaces) e a comercialização, atingindo o consumidor final. Mesmo a pesquisa sobre o agronegócio apresentou significativa evolução ao longo do que se pode chamar de dois níveis paralelos de análise: i) estudo sistemático e coordenado da participação horizontal e vertical das cadeias, conhecido como economia do agronegócio, ii) estudo da tomada de decisão no âmbito das estruturas alternativas de governança da cadeia agroindustrial, entendida como gestão do agronegócio (COOK e CHADDAD, 2000).
doi:10.34117/bjdv5n11-096 fatcat:v537edyc4vaftlzdol3vxpy5na