Perspectiva dos Discentes de Medicina de uma Universidade Pública sobre Saúde e Qualidade de Vida

Angela Maria Moreira Canuto Mendonça, Thaís Ferreira Gêda, Julia Espíndola Guimarães, Caroline Oliveira Mendes, Tharnier Barbosa Franco Manna, Eduardo Maffra Monteiro
2019 Revista Brasileira de Educação Médica  
RESUMO Introdução Desde o preparo para o ingresso até a conclusão do curso de Medicina, há uma cobrança além do conteúdo; exige-se preparo emocional. Diante de um curso com carga horária integral, que demanda dedicação intensa para atingir boa bagagem teórico-prática e contemplar as exigências curriculares, e, muitas vezes, da distância da família, tem-se a percepção diminuída da qualidade de vida entre esse grupo. Essa adaptação a mudanças fisiológicas e emocionais é capaz de interferir no
more » ... e interferir no processo de adoecimento desse grupo, refletindo na atuação profissional e na comunidade em que atuará. Objetivo Conhecer hábitos de vida e o processo de adoecimento dos acadêmicos de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) ao longo do curso, além de buscar entender a possível relação entre esses fatores e a alta incidência de queixas gástricas nesse grupo. Metodologia Estudo descritivo e transversal cuja amostra é composta de estudantes de Medicina do 1º ao 8º período da UFAL, separados por gênero e ciclo do curso. Utilizou-se o método de Bardin para análise qualitativa do conteúdo gerado na discussão dos grupos. Resultados Por meio da análise de Bardin, chegou-se à categoria final qualidade de vida, em todos os grupos, feminino e masculino, tanto do ciclo básico quanto do ciclo clínico. Essa categoria advém das categoriais intermediárias: acessibilidade à alimentação saudável, hábitos de vida e sintomas gerais. A carga horária exorbitante foi a principal queixa dos grupos. Chamaram atenção a frequência das queixas gastrointestinais e a distância do núcleo familiar. Destacaram-se as peculiaridades de cada grupo nas categoriais iniciais, a competitividade entre as alunas do 5º ao 8º período do sexo feminino e a ingestão de bebida alcoólica entre alunos do sexo masculino do 5º e o 8º período. Discussão A diminuição da qualidade de vida é resultado da matriz curricular, com mais de oito mil horas. O reflexo dessa carga horária exorbitante é o estresse, que serve de gatilho para qualidade de sono ruim e carência de tempo para dormir, hábitos alimentares precários, ingestão de bebida alcoólica, nervosismo, ansiedade, competividade, sintomas como cefaleia, dores nas costas e sintomas e patologias digestivas. Com o sistema de seleção unificado, a distância do núcleo familiar transformou o perfil e as necessidades desse grupo, refletindo nas condições financeiras e responsabilidades adicionais que precisam assumir. Considerações finais Os resultados encontrados nesta pesquisa sobre os principais fatores que levam à diminuição da qualidade de vida e à repercussão desse processo no adoecimento tanto de estudantes do sexo masculino quanto do feminino nos diferentes períodos do curso de Medicina coincidem com os da literatura nacional e internacional. Há uma tendência mundial que aposta no autocuidado do currículo médico, a fim de formar profissionais mais capacitados. Em vista disso, este artigo pode despertar as instituições universitárias sobre a necessidade de intervir no curso de Medicina.
doi:10.1590/1981-5271v43suplemento1-20190043 fatcat:4jws2p7bvrcpzmtjbq4onkx4yy