Estudo químico de chás de folhas de urucuzeiro (Bixa orellana L.)

Ewerton Carvalho de Souza, Osmar Alves Lameira, Kelson do Carmo Freitas Faial, Regina Celi Sarkis Müller, Davi do Socorro Barros Brasil
2020 Brazilian Journal of Development  
RESUMO As plantas medicinais são empregadas no tratamento e na cura de enfermidades de forma tão antiga quanta a espécie humana. Devido às observações populares sobre o uso e a eficácia de plantas medicinais, se passou a conhecer seus efeitos benéficos sem ao menos saber suas propriedades, constituições e composição química. Na Amazônia muitas espécies vegetais são usadas para combater diversos males, como é o caso do urucuzeiro (Bixa orellana L.), espécie natural desta região do Brasil, onde é
more » ... o do Brasil, onde é empregado como chás de suas folhas para o tratamento de hepatites, distúrbios pulmonares, afecções estomacais e diversos outros males. Neste trabalho foram determinados, via ICP OES, os teores de Al, Ca, Cr, Cu, Fe, K, Mg, Mn, Na, Ni e Zn em chás de folhas de urucuzeiro (Bixa orellana L.), provenientes da Embrapa Amazônia Oriental e de dois municípios do nordeste do Pará (São Brazilian Journal of Development Braz. Miguel do Guamá e Vigia). Os resultados encontrados sugerem que em termos de Na, Mn, Mg, Cu, Ca, K, Fe e Zn a ingestão de uma xícara de chá (250 mL) não apresenta nenhum risco a saúde humana, todavia, o teor médio encontrado para Al indica que uma xícara de chá já comporta 30 % do limite máximo diária de ingestão deste metal, assim sendo, não se recomenda mais de uma ou duas xícara de chás das folhas de urucuzeiro (Bixa orellana L.) por dia. Palavras-chave: Droga vegetal, metais, Amazônia. ABSTRACT Medicinal plants are used to treat and cure diseases as old as the human species. Due to popular observations on the use and effectiveness of medicinal plants, its beneficial effects came to be known without even knowing its properties, constitutions and chemical composition. In the Amazon, many plant species are used to combat various diseases, such as the urucuzeiro (Bixa orellana L.), a species native to this region of Brazil, where it is used as leaf teas for the treatment of hepatitis, lung disorders, diseases stomach disorders and several other ills. In this work, the contents of Al, Ca, Cr, Cu, Fe, K, Mg, Mn, Na, Ni and Zn were determined via ICP OES in annatto leaf teas (Bixa orellana L.), from Embrapa Amazônia And two municipalities in the northeast of Pará (São Miguel do Guamá and Vigia). The results found suggest that in terms of Na, Mn, Mg, Cu, Ca, K, Fe and Zn the ingestion of a cup of tea (250 mL) does not present any risk to human health, however, the average content found for Al indicates that a cup of tea already contains 30% of the maximum daily limit of intake of this metal, therefore, it is not recommended more than one or two cups of teas from the annatto leaves (Bixa orellana L.) per day. As plantas medicinais são empregadas no tratamento e na cura de enfermidades de forma tão antiga quanta a espécie humana (TAKAMURA, 2008) . Elas foram e ainda continuam sendo atualmente, mesmo com o surgimento da química farmacêutica, uma importante fonte de terapia, tanto pelo seu uso direto (chás, infusões, etc.), como matéria prima para desenvolvimento de fármacos (HOSTETTMANN, QUEIRÓZ e VIEIRA, 2003). Devido às observações populares sobre o uso e a eficácia de plantas medicinais, passou-se a conhecer seus efeitos benéficos sem ao menos saber suas propriedades, constituições e composição química. Assim, a cultura popular contribuiu para a divulgação da ação terapêutica de certos vegetais. Desta forma, usuários de plantas medicinais ao redor do mundo, mantém ativa a prática do consumo de fitoterápicos, tornando válidas informações terapêuticas que foram sendo acumuladas durante séculos (MACIEL PINTO; VEIGA JÚNIOR, 2002). O Brasil é considerado como um dos países de maior riqueza em termos de biodiversidade, apresentando em seus ecossistemas aproximadamente 20 % das espécies vegetais existentes, mas a maioria dessas espécies ainda não foi estudada (WAGNER, 2007) .
doi:10.34117/bjdv6n7-529 fatcat:nvxr3if6lzcgxlowryeufdqfz4