Dispositivo e imagem: uma relação com o fora

Flávia Virgínia, Santos Teixeira
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Introdução: O dispositivo como agenciamento A máquina governamental 1 produz sujeitos e faz uso dos mais diversos dispositivos como forma de disseminação do poder e condução da vida 2. Contudo, isto não significa que os dispositivos não sejam passíveis de subversões, seja mediante profanação, seja por fuga, seja por transgressão. Como afirma Deleuze, "pertencemos a dispositivos e neles agimos" 3 e por isso mesmo é preciso pensar no dispositivo a partir de uma abordagem imanente, afirmativa e
more » ... te, afirmativa e múltipla, diferente de um sistema rígido, positivo e meramente instrumental. Cada vez mais o poder investe em nossa vida cotidiana, em nossos modos de subjetivação e por esse motivo, ao invés de apontar o sujeito como um produto não-real, Deleuze afirma que o lugar do sujeito pode atuar como um foco de resistência, como parte de um processo que está sempre para se fazer e que não cessa de se inventar e se transformar. Em princípio, uma subjetividade moderna deveria resistir a dois modos atuais de sujeição: aqueles que consistem ora em nos individualizar conforme as exigências do poder, ora em enquadrar cada individualidade a uma identidade sabida e conhecida 1 Chamamos de "máquina governamental" o sistema que estrutura e liga o aparelho de Estado a todos os seus componentes. 2 "Condução da vida" remete ao momento no qual a própria vida é tomada pelo poder. Segundo Foucault, foi durante a época clássica que o corpo foi descoberto como objeto e alvo de poder. E, somente, a partir do século XVIII as técnicas de poder ocuparam-se em esculpir no detalhe o corpo como um objeto do controle: "o poder infinitesimal sobre o corpo ativo". FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: História da violência nas prisões. Trad. Raquel Ramalhete. Rio de Janeiro: Vozes, 2008.
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