Quatro teses sobre a integração europeia

Madalena Resende
2018 Relações Internacionais  
a Segunda Guerra Mundial e o período que logo se seguiu (até 1955), como o pós-1989 (até 2001) foram momentos de transição do sistema internacional que resultaram em novas fórmulas de ordenação das relações entre os estados europeus. Na Segunda Guerra Mundial a Europa deixou de ser o centro do sistema internacional para se tornar num espaço regional (entre outros). O fim da Guerra Fria significou que a região perdeu a centralidade geopolítica que o conflito lhe impunha. É, pois, natural que a
more » ... is, natural que a atual mudança de ordem do sistema internacional, com a retração dos Estados Unidos e a emergência de potências revisionistas, da qual o Brexit é um sintoma, também exijam o restabelecimento de outras formas de relacionamento entre as potências. A segunda tese é a de que a integração europeia deve ser vista como um equilíbrio parcial, isto é, obedece a uma lógica interna, mas não independente do jogo global das superpotências. A emergência das instituições de segurança e de integração económica na Europa do pós-Guerra foi construída como resposta improvisada às crises provocadas pelos conflitos entre E scrito no rescaldo do Brexit, o ensaio A Balança da Europa contribui de forma sóbria para o diagnóstico das causas das crises que têm vindo a assolar a Europa na última década, apresentando também pistas para que a Europa resista a estas. Naturalmente, diagnóstico e cura têm origem nas mesmas quatro teses, que o ensaio expõe ao longo de três partes: na Segunda Guerra Mundial, no período do pós-guerra (até 1955) e no período do pós--Guerra Fria (1989). A primeira tese é a de que a estabilidade da Europa pressupõe um equilíbrio de poder das três grandes potências europeias: a Grã-Bretanha, a França e a Alemanha. O Brexit põe em causa o restabelecimento desse equilíbrio, mas o ensaio lembra-nos que tanto
doi:10.23906/ri2018.58r02 fatcat:xdeqc3qejvcgbbfmss3bkwmg3e