Comportamento glicêmico nos casos chamados insulino-resistentes no tratamento de Sakel

Francisco Tancredi, João Baptista dos Reis
1945 Arquivos de Neuro-Psiquiatria  
A grande variação na resposta individual à insulina, pela reação comatosa, é bastante conhecida, no decurso do tratamento de Sakel. Vários pesquisadores se preocuparam em demonstrá-la. Até o momento, se designa insulino-resistência ao fato de grandes doses insulínicas não determinarem sintomas clínicos hipoglicêmicos e especialmente o coma. Teríamos, segundo Braunmühl, dois tipos: uma insulino-resistência relativa, aquela que se manifesta no decurso do tratamento, em face de uma
more » ... uma dessenbilização, mesmo depois de obtidos vários comas; outra, a insulino-resistência absoluta, sendo considerado assim todo caso que, atingindo 300 unidades de vez, não apresenta o coma. Quanto à primeira, a literatura está cheia de exemplos. Müller já dizia, em 1937, que 2/3 dos pacientes apresentavam modificações da sensibilidade no decurso do tratamento, exigindo freqüentes reajustamentos das doses comatógenas. Há casos que, iniciados com baixas doses, exigem no fim do tratamento doses 5 a 8 vezes maiores para os mesmos efeitos (Jessner e Ryan, Müller, Sakel 1 . Tillin 2 publica interessantes observações, dentre as quais um caso em que obteve coma com 50 unidades, caiu a dose comatógena depois a 35 sendo os últimos comas obtidos com 150 unidades. Temos observações interessantes nesse sentido. Uma paciente de 29 anos teve o primeiro coma com 10 unidades (entre a segunda e terceira hora), o sexto coma com 5 unidades (ainda entre a segunda e terceira hora) e depois variou tanto a sua sensibilidade, no sentido de uma resistência, que foram precisas 50 unidades para Trabalho realizado no Sanatório Charcot e apresentado à Secção de Neuropsiquiatria da Associação Paulista de Medicina em 5 janeiro 1945. Entregue para publicação em 17 abril 1945. 1. Sakel, M. -The methodical use of hypoglycemia in the treatment of psychoses. Am. J. Psychiat., 94:111, 1937. 2. Tillin, S. J. -Observations of Insulin Sensitivity. Am. J. Psychiat., 96:361 (setembro). 1939.
doi:10.1590/s0004-282x1945000200004 fatcat:vv2wuravpvgjvdt5otffoq6ciq