Divagações

Altamirano Nunes Pereira
2010 Revista letras  
Antigo Prof. de Filosofia do Colégio Militar -Rio. A sabedoria do Criador lançou para a eternidade a tendência indisfarçável de ânsia para a perfeição nas aspirações humanas. Selou essa fatalidade, porém, com o sinal indelével da impossibilidade de atingir a criatura o climax de uma saturação que a eleve è altura da divindade. 0 homem foi feito de terra e da Terra, da impureza, da imperfeição, do nada. Se recebeu o sôpro divino, foi essa uma aura para predestinação em busca do Absoluto, sem que
more » ... o eivasse, a êle, a gama de um conteúdo de alma que o integrasse no grande Deus. Eis por que, desde sua existência de primeiros dias na Terra, fêz-se o homem um angustiado. Nasce, cresce e morre, na perfaçao de um ciclo de aspirações sem conta: sente, pensa e age. Seus sentimentos, pelo complexo da sensibilidade que o anima, fazem-no buscar o prazer e fugir à dor. A tendência, com a marca viva do instinto, comum que é a tôda a animalidade, assume para o ser humano aspecto transcendente que, é força reconhecer, o torna joguete de anseios, aspirações, sensações e paixões de tôda ordem. A ciência, criada pela Razão, e a Arte, impregnada do coração, dão-lhe os motivos para as emoções, na ânsia da busca do prazer e na fuga ou repulsa à dor. E a Moral que se deveria condicionar à sensibilidade, sob ainda os influxos da Razão, padece dessa tendência para alcançar o homem a Perfeição pelo prazer. Além disso, dispondo do cadinho divino que é o mecanismo da Consciência, mas sabendo que seu fenomenalismo é de ordem
doi:10.5380/rel.v10i0.19947 fatcat:dmrenszafnfwlcgqsv4lapafye