Ablação Histeroscópica do Endométrio no Tratamento da Menorragia: Seguimento de 200 Casos

Francesco Viscomi, João Alfredo Martins, Marilice Dall'Aglio Pastore
2001 Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia  
RESUMO Objetivo: avaliar a eficácia da ablação histeroscópica do endométrio no tratamento cirúrgico da menorragia. Métodos: foram realizadas 200 ablações histeroscópicas do endométrio no período de abril de 1991 a abril de 1999 em pacientes de clínica privada dos autores. Todas as pacientes apresentavam sangramento uterino anormal de causa benigna rebelde ao tratamento clínico. O procedimento foi realizado em ambiente hospitalar sob anestesia de bloqueio (raqui ou peridural). Nos primeiros
more » ... Nos primeiros quatro anos utilizou-se a glicina 1,5% como meio de distensão da cavidade uterina e nos últimos quatro anos o manitol 3%. O seguimento variou de 8 meses a 8 anos. Resultados: das 200 pacientes, 180 (90%) mostraram-se satisfeitas com o procedimento, relatando diminuição acentuada do fluxo menstrual. A análise histológica do endométrio após ressecção histeroscópica revelou atividade proliferativa em 104 pacientes (52%), e secretora em 34 (17%). A hiperplasia endometrial esteve presente em 20 pacientes (10%). As pacientes que se submeteram à ressecção apresentaram a cavidade uterina diminuída e formação de sinéquias fibrosas, ao passo que nas pacientes que foram submetidas à destruição endometrial a cavidade mostrou-se diminuída porém sem formação de sinéquias. Duas pacientes apresentaram quadro de hipervolemia moderada durante o procedimento, que respondeu bem ao tratamento clínico. Ocorreu um episódio de perfuração uterina durante a fase de dilatação e cinco casos de hematômetra foram registrados. Conclusões: A ablação histeroscópica do endométrio é um procedimento seguro e eficaz em pacientes selecionadas no tratamento da menorragia de causa benigna rebelde a tratamento clínico. PALAVRAS-CHAVE: Sangramento uterino disfuncional. Endométrio: investigação. Ressecção do endométrio. Introdução Mais de 600.000 histerectomias são realizadas anualmente nos EUA, fazendo com que seja o procedimento cirúrgico ablativo mais comum em Ginecologia 1 . Em torno de 20 a 25% destes casos trata-se de sangramento uterino anormal de causa benigna, rebeldes a tratamento clínico, sem patologia uterina. Até há poucos anos as mulheres que não respondessem a tratamento clínico hormonal estavam limitadas a optar por submeter-se à histerectomia ou continuar com seus fluxos menstruais abundantes. A partir da identificação de que a síndrome de Asherman, que é a presença de sinéquias dentro da cavidade uterina, ocasiona amenorréia ou oligomenorréia, qualquer técnica capaz de produzir uma síndrome de Asherman poderia parar o fluxo menstrual aumentado destas pacientes. Surgiram várias técnicas
doi:10.1590/s0100-72032001000300006 fatcat:lr5gnmqbf5dvpcn6zwnysl7yeu