O uso de animais pelo ensino e pela pesquisa: prós e contras

Julio Cezar Reis Danielski, Daniela Martí Barros, Fernanda Antoniolo Hammes De Carvalho
2011 RECIIS  
Resumo Em busca de conhecimento, atividades de ensino e pesquisa são, historicamente, realizadas com o uso de animais. Este artigo fundamenta-se na existência de um novo paradigma em relação à utilização de animais em estudos acadêmicos. Objetivou-se questionar como a ciência aplicada a animais de laboratório, prática presente no cotidiano de alunos dos cursos de Medicina e Ciências Biológicas da Universidade Federal do Rio Grande -FURG, contribui para a formação acadêmica e profissional. Os
more » ... profissional. Os conflitos gerados por este tema evidenciam-se nos questionamentos deste artigo, revelando a necessidade de reflexões éticas quanto à utilização de animais pelo ensino e pela pesquisa. Constatou-se a necessidade de emersão da Ciência em Animais de Laboratório como fornecedora de conhecimentos específicos sobre o uso de animais para fins didático-científicos. Introdução Na medida em que a vida no planeta Terra tem se transformado, alguns seres vêm se adaptando e estabelecendo padrões e formas de convivência. A história nos revela que o homem, através do tempo, vem definindo essas formas de relacionamento com o meio ambiente, em geral, dominando e transformando a natureza em função de suas observações e necessidades. No ensino e na pesquisa, várias atividades são realizadas, utilizando diferentes recursos ambientais, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre determinado assunto. Dentre eles, está o uso de animais para fins de práticas didático-científicas na busca de conhecimentos e de benefícios aos homens e animais. Estudos de interesse humano e veterinário com o uso de animais são realizados desde a antiguidade, conforme destacam Raymundo e Goldim: (RAYMUNDO et al., 1997) Observa-se, assim, que a ciência, historicamente, vem sofrendo influências filosóficas. Algumas correntes de pensamento afirmavam que os animais não tinham alma, portanto seriam incapazes de sentir dor. Pitágoras (582 -500a.C), contudo, já pensava que "a amabilidade para com todas as criaturas não humanas era um dever" (Ibidem,p. 08). Notamos, assim, que questionamentos acerca da utilização de animais sempre acompanharam o desenvolvimento da ciência. Na Europa, a partir do século XIX, surgem os primeiros movimentos de proteção aos animais. De acordo com Diniz (2006) , "Desde o final do século passado, o homem está procurando adotar uma nova postura em relação à natureza, não explorando seus recursos aleatoriamente, sejam minerais, vegetais ou animais". Essa procura incessante por novas tecnologias e novos conhecimentos é uma característica histórica e própria do homem, e permite que a humanidade obtenha novas conquistas e, consequentemente, maior desenvolvimento. Hipócrates (450 a.C) já relacionava o aspecto de órgãos humanos doentes com o de animais, com finalidade claramente didática. Os anatomistas Alcmaeon (500 a.C), Herophilus (330 -250 a.C) e Erasistratus (305 -240 a.C) realizavam vivissecções animais com o objetivo de observar estruturas e formular hipóteses sobre o funcionamento associado às mesmas. Posteriormente, Galeno (129 -210 d.C), em Roma, foi talvez o primeiro a realizar vivissecção com objetivos experimentais, ou seja, de testar variáveis de alterações provocadas nos animais
doi:10.3395/reciis.v5i1.397pt fatcat:vc373h7zoncgzazo27fobxgvqe