Alterações foliares sugerem efeitos da poluição veicular em plantas da família myrtaceae em áreas urbanas

Lucilene De Brito, Paulo Antonio Silva, Antonio Fluminhan
2019 Revista Ibero-Americana de Ciências Ambientais  
Alterações no tamanho das folhas, bem como a assimetria flutuante, i.e., variações na simetria de caracteres bilaterais foliares, têm sido usadas para avaliar os impactos da poluição veicular em plantas. Tais parâmetros indicam instabilidade no desenvolvimento das plantas de acordo com seus ambientes, portanto uma ferramenta eficaz em biomonitoramento ambiental. Neste estudo, verificamos se há variação no tamanho e assimetria flutuante em folhas de três espécies de Myrtaceae (Eugenia uniflora,
more » ... linia cauliflora e Psidium guajava) sob três condições ambientais: i) áreas urbanas centrais (com alta intensidade de tráfego de veículo); ii) áreas urbanas periféricas (com baixa intensidade de tráfego veicular); iii) áreas naturais, i.e., sem urbanização, presumidas como livre de trafego veicular, portanto sem gases poluentes emitidos pela combustão (controle). As medidas foliares, comprimento e largura e assimetria, foram obtidas usando um paquímetro digital. Para determinar a assimetria flutuante, a nervura central da folha foi utilizada como referência para mensurar três pontos do lado esquerdo e direito: base foliar (próximo a inserção do pecíolo), área intermediária (meio da folha) e área da ponta (ápice foliar). Os valores da assimetria foram transformados em logaritmos e recalculados sobre novos valores (d = logx - logx) e Box-Cox, d* = (| d | + 0,000050,33). Houve variação nas dimensões foliares e na assimetria flutuante para E. uniflora, P. guajava e P. cauliflora (ANOVA; p < 0,05). Há evidências de instabilidade no desenvolvimento e ontogenia das folhas de E. uniflora, P. guajava e P. cauliflora, potencialmente em resposta a um estresse ambiental promovido pela poluição veicular. Estas espécies podem ser, portanto, bioindicadores de poluição aérea promovidas por combustão veicular em áreas urbanizadas.
doi:10.6008/cbpc2179-6858.2019.001.0018 fatcat:tqdimevmjjbx3ktcwojs4pazme