Entrevista: Marcio Pochmann

Fabio De Oliveira, Marcio Pochmann
2004 Cadernos de Psicologia Social do Trabalho  
até 2001 no Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), quando licenciou-se para assumir o cargo de secretário. Nesta entrevista, realizada em 29 de setembro de 2004, ele apresenta os detalhes da estratégia de inclusão social constituída pela secretaria. Fábio de Oliveira -Comecemos pela sua trajetória. Sabemos que você trabalhou com o movimento sindical e teve uma passagem pelo Dieese, antes de chegar à Unicamp. Como foi esse caminho? Marcio Pochmann -Então, eu sou gaúcho do
more » ... o, eu sou gaúcho do interior do Rio Grande do Sul, de uma cidade chamada Venâncio Aires. Uma cidade de colonização alemã, inclusive. Eu tive inicialmente uma experiência no movimento estudantil, cheguei a ser presidente do grêmio literário lá da minha escola, no ensino médio, depois eu estudei na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e lá também tive uma experiência na militância estudantil: cheguei a ser presidente do diretório acadêmico da administração, economia, contábeis etc. E, posteriormente, fui contratado como auxiliar técnico do Dieese no Rio Grande do Sul. Trabalhei um ano lá, em 1984. Depois, de 1985 a 1988, eu fui o responsável técnico pelo escritório regional do Dieese em Brasília. Foi uma época muito legal, já que se tratava da conclusão da transição democrática no Brasil. Época da Constituinte, das tentativas de pacto social, quase o período ainda da hiperinflação, da organização do sindicalismo do ponto de vista das centrais sindicais em Brasília. Foi uma experiência muito interessante. Em 1989, eu me desloquei de Brasília para a cidade de Campinas, onde passei a fazer parte do grupo de pesquisadores vinculados ao Cesit, o Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, no Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas. Onde, além de me aprofundar no âmbito das pesquisas, eu terminei fazendo também o doutorado em economia. Fiquei um ano e meio fora do Brasil fazendo uma pesquisa para o meu doutoramento. Estive na Itália, na França e na Inglaterra. Eu defendi a tese de doutorado em 1993, continuei na Unicamp como professor, fiz o concurso de livre-docência em 2000. Eu segui a carreira acadêmica, basicamente é isso, como professor, pesquisador. Em 2001, vim aqui para São Paulo para ajudar a construir uma estratégia do que chamamos de inclusão social, o que passou pela constituição da Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade (SDTS) e desses nove programas que estão em operação de lá para cá. Fábio -Como foi essa passagem de alguém que assessorou o movimento sindical, que entra para a academia, faz sua carreira lá dentro e em um certo momento vem para o poder público ocupar um cargo executivo? Marcio -No fundo, eu diria que tinha um interesse de ter uma experiência em uma função executiva. Eu já tinha tido algumas ofertas, uns seis convites para participar, em situações distintas, em diferentes esferas de governo, mas nunca me senti suficientemente estimulado
doi:10.11606/issn.1981-0490.v7i0p81-91 fatcat:mh7klei6fvb7zdxn2ojj2nocpe