Fenologia reprodutiva de Prepusa montana Mart. (Gentianaceae) em uma área de campo rupestre da Chapada Diamantina, BA, Brasil

Aline Coelho, Caio Graco Machado
2009 Revista Brasileira de Botânica  
Reproductive phenology of Prepusa montana Mart. (Gentianaceae) in an area of campo rupestre vegetation in the Chapada Diamantina, Bahia State, Brazil). The phenological, flowering and fruiting strategies of Prepusa montana Mart. (Gentianaceae) in an area of campo rupestre vegetation in the Chapada Diamantina were investigated in terms of the influence of local rainfall, relative humidity, temperature, and photoperiod. The numbers of buds, flowers, and mature fruits of this species were
more » ... ecies were monitored during monthly visits to the Mucugê Municipal Park between 6/2006 and 8/2007. Environmental variables (average accumulated rainfall, average temperature and relative humidity) were monitored at the site, while the regional photoperiod was calculated from geographical data. Prepusa montana demonstrated annual flowering of intermediate duration during the dry season. The flowering phenophase did not demonstrate any correlation with rainfall or relative humidity, but was found to be negatively correlated with temperature and photoperiod. Fruit maturation initiated during the dry season and was most intense at the start of the rainy season. Seed dispersal demonstrated a negative correlation with relative humidity. As this species occurs along water courses, flowering appears to be independent of any water stress during the dry period. The negative correlation between fruit opening and relative humidity is associated with the desiccation processes necessary for diaspore maturation and dispersal. The dissemination of P. montana seeds is apparently facilitated by the wind during the dry season and then by rainfall at the start of the rainy season (while rainfall would also increase the probability of seedling establishment). RESUMO -(Fenologia reprodutiva de Prepusa montana Mart. (Gentianaceae) em uma área de campo rupestre da Chapada Diamantina, BA, Brasil). Foram investigadas as estratégias fenológicas de floração e frutificação de Prepusa montana Mart. em uma área de campo rupestre da Chapada Diamantina e a sua influência pela pluviosidade, umidade relativa do ar, temperatura e fotoperíodo. Foram registrados os números de flores, botões e frutos maduros desta espécie, em visitas mensais ao Parque Municipal de Mucugê, em Mucugê, BA, de junho de 2006 a agosto de 2007. Os dados das variáveis ambientais (precipitação média acumulada, temperatura média e umidade relativa do ar) foram coletados em Mucugê e o fotoperíodo da área foi calculado por dados geográficos. Prepusa montana apresentou floração anual com duração intermediária, ocorrendo na época seca. A fenofase de floração não apresentou correlação com a pluviosidade e com a umidade relativa do ar, mas apresentou correlação negativa com a temperatura e com o fotoperíodo. A maturação dos frutos iniciou-se na estação seca e teve sua maior intensidade no início da estação chuvosa. A dispersão das sementes apresentou correlação negativa com a umidade relativa do ar. Por ocorrer ao longo de cursos d'água, a floração de P. montana parece ser independente do estresse hídrico da época de estiagem. A correlação negativa entre a abertura dos frutos e a umidade relativa do ar está associada ao processo de dessecação, necessário para a maturação e a dispersão dos diásporos. Na estação seca, a disseminação das sementes de P. montana pode ser facilitada pelo vento e as chuvas, no início da estação chuvosa, podem também auxiliar na dispersão das sementes, além de garantir maior probabilidade de sua germinação e do estabelecimento das plântulas.
doi:10.1590/s0100-84042009000200018 fatcat:rpvycxel4bcp3d4mii55t77xfq