Jornalismo televisivo e crime violento, ou sobre um decisivo "não-dito" Palavras-chave

Francisco Rui, Cádima Resumo, Jornalismo Televisão, Violência, Escrutínio Prevenção, Francisco Rui, Cádima, Associado
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Este texto pretende fazer uma reflexão sobre algo que é relativamente novo na comunicação social portuguesa, que é a sobreatenção, de características e efeitos sensacionalistas, que em particular o meio televisivo está a conceder-com honras de abertura de telejornal-aos delitos criminosos de grande impacto público, isto num momento em que Portugal está mergulhado em uma crise de valores e econômica tida como uma das mais profundas da era democrática. Dessa forma, procuramos contextualizar a
more » ... ontextualizar a questão, em termos teóricos, e também no contexto nacional, e discorrer sobre práticas e metodologias de enquadramento jornalístico que contribuam para superar esse tratamento de tipo tabloide, na perspectiva de que os media tenham neste âmbito sobretudo uma ação preventiva simultânea com a sua estratégia informativa. "Os filmes violentos aumentam a frequência das condutas agressivas-de tipo físico ou verbal-nas crianças dos nove aos catorze anos" Marcel Frydman "O não sentido das coisas me faz ter um sorriso de complacência. De certo tudo deve estar sendo o que é." Clarice Lispector O Verão de 2008, em particular o mês de agosto, ficou marcado, em Portugal, por um crescendo de crimes a que a mídia, naturalmente, deu eco. A catadupa de incidentes, alguns de enorme gravidade, foi, inclusive, objeto de alargado debate e crítica social, sobretudo em relação ao potencial 'fator mimético' gerado pelos próprios meios de comunicação social. Como temos defendido, a violência estereotipada na mídia não transmite violência à sociedade da forma como muitas vezes se pretende fazer crer. Acusar os media de 'principais' instigadores da violência é iludir o problema. As raízes da violência têm que ser encontradas em contextos mais complexos da sociedade, sem que isso
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