Nota de apresentação

Joaquim Azevedo
2019
Os professores portugueses são hoje profi ssionais perdidos numa imensidão de mares nunca antes navegados, que são as escolas de hoje, os únicos e últimos templos sociais de acolhimento de todos os cidadãos, sem exceção. Por isso, e por muito mais, alguma literatura lhes chama "quase--profi ssionais". De facto, os professores são profi ssionais com graves problemas de identidade profi ssional, sempre a obedecer desajeitadamente a ordens superiores que os mandam fazer agora de um modo e amanhã
more » ... um modo e amanhã do modo contrário, profi ssionais desgarrados uns dos outros e desenraizados dos seus locais de trabalho, práticos que enfrentam, com práxis isoladas e irrefl etidas, problemas de todo o tipo, que entram de chofre, sem bater à porta, pelas salas de aula dentro. Muitos professores ainda se pensam como profi ssionais por serem donos exclusivos deste sagrado naco, a sala de aula, a dita "caixa negra" da escola, mas ela já há muito que também deixou de ser deles, ela é dos alunos, que dela se assenhorearam, cada vez mais diferentes e estranhos, cada vez mais indiferentes e adversos, cada vez mais dependentes e titubeantes. Socialmente despojados de quase tudo, desmantelados como classe, os professores de hoje têm-se remetido para um ressentimento resignado, um fechamento revoltado e inconsequente na sala de aula, uma triste antecipação das reformas, a fuga inconformada para casa e para os fóruns virtuais de inglória lamentação pública. A passagem política do acolhimento de todos ao ensino efi caz de cada um, ou seja, o alcance por todos e por cada um dos conhecimentos e das competências que estão consignados, é o que a sociedade mais deseja que a escola faça e faça bem. Mas é exatamente aqui que a escola mais falha. Mas, com profi ssionais assim, como podem as instituições escolares cumprir a sua missão sociocultural? Nenhuma instituição pode funcionar com este
doi:10.34632/investigacaoeducacional.2012.3372 fatcat:qpne66cxfbcppgotzvexxqcpde