Editorial CULTURA DE INTEGRIDADE EM PESQUISA: SOMOS AGENTES PROMOTORES

Ana Paula, Vasconcellos Abdon
2015 Rev Bras Promoç   unpublished
A Revista Brasileira em Promoção da Saúde (Brazilian Journal in Health Promotion), movida pela necessidade de uma cultura que estimule a integridade em pesquisa, quer enfatizar sua preocupação, não apenas com o conteúdo de suas publicações, mas também com os aspectos éticos que envolvem a submissão e a publicação dos manuscritos. Com isso, pretende levantar a discussão sobre boas práticas em pesquisa científica, ressaltando a importância de que este reforço ocorra desde os primeiros estágios da
more » ... imeiros estágios da carreira dos pesquisadores. As más condutas éticas ocorrem em virtude das exigências crescente de produção intelectual e consequentemente as pressões sobre os pesquisadores vinculados aos programas de pós-graduação que utilizam os indicadores, principalmente, internacionais (1). A proliferação destas condutas antiéticas também é influenciada pelo "sistema de recompensas" existente, no qual o pesquisador é avaliado pela sua produtividade. O primeiro evento mundial sobre a integridade em pesquisa ocorreu em 2007 na cidade de Lisboa (2) e buscou sensibilizar a comunidade científica e editores para a importância de promover a conduta responsável na pesquisa. Em 2010, houve a segunda conferência mundial em Singapura (3). Desta conferência emergiu a "Declaração de Singapura sobre integridade em pesquisa" trazendo como princípios de integridade: a honestidade, a responsabilidade, o respeito e imparcialidade profissionais e a boa gestão da pesquisa (3). Em 2013, a terceira edição ocorreu em Montreal e teve como grande linha temática as investigações que cruzam as fronteiras e as parcerias internacionais (4). A exemplo destes movimentos internacionais, o Brasil também se mobilizou. Entretanto, esta preocupação é recente e tomou corpo após séries de publicações a respeito desta temática elaborado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) (5) e pela publicação do Relatório da Comissão de Integridade de Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (6). Paralelo a estas publicações, dois importantes eventos ocorreram nos anos de 2011 e 2012 no Brasil que abordaram ações para promoção da integridade científica norteando pesquisadores e instituições brasileiras, o I e II Brispe (Brazilian Meeting on Research Integrity, Science and Publication Ethics) (7). Neste ano de 2015, o Brasil sediará a "4ª Conferência Anual para Integridade da Pesquisa" (4 th World Conference on Research Integrity) no Rio de Janeiro, que irá explorar a "excelência da investigação científica em seus diferentes sistemas" (8). Somado a estes movimentos nacionais, destacamos a importância de que os periódicos científicos discutam suas políticas editoriais com a comunidade científica para exercermos o papel de educador das boas práticas em pesquisa e prevenir as más condutas, como plágio, autoplágio, fraude, autoria indevida, entre outros. Dentre estes, o plágio vem ganhando destaque no cenário internacional em virtude do crescente número de relatos deste tipo de má conduta. No Brasil, a situação é preocupante, calcula-se a proporção disto quando renomado pesquisador
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