Febre a bordo: migrantes, epidemias, quarentenas

Cristiana Bastos
2020 Horizontes Antropológicos  
Resumo Neste artigo faço uma retrospetiva dos estudos sobre epidemias a que me dediquei enquanto antropóloga, dando destaque a um fenómeno que interseta os interesses da antropologia da biossegurança e da história das plantações de açúcar e migrações laborais: os surtos epidémicos a bordo dos barcos de migrantes em finais do século XIX. Baseada num relato de mais de 50 mortes infantis por sarampo numa viagem de emigrantes da Madeira para o Hawaii em 1884, e constatando que existiu uma sequência
more » ... istiu uma sequência de pelo menos três mortandades equivalentes no espaço de dois anos, discuto questões mais amplas de saúde, desigualdade, tráfico, corpo, género, família, não sem dar atenção à materialidade da vida dos navios que se foram reconfigurando no transporte de força do trabalho escravizada, vinculada e contratada.
doi:10.1590/s0104-71832020000200002 fatcat:jvlmeeu4zrf53npms64saueyy4