Escovagem Elétrica Versus Manual em Saúde Oral

António HS Delgado, Ricardo M Fernandes, Paulo Mascarenhas
2017
ARTIGO ORIGINAL / ORIGINAL ARTICLE Introdução A placa bacteriana é a causa etiológica primária para as doenças do periodonto, como a gengivite e a periodontite, e constitui o fator singular necessário ao aparecimento da cárie. 1 Apesar de existirem atualmente diferentes métodos de controlo de placa, o controlo mecânico assegurado pela escovagem é o método mais eficaz para garantir o controlo da placa bacteriana nas superfícies dentárias. 2,3 Com o aparecimento das escovas elétricas, tem sido
more » ... tricas, tem sido tema de debate se a eficácia deste método é superior em detrimento da escovagem tradicional. 3,4 Na população pediátrica o uso de escovas elétricas tem potenciais benefícios. Estas têm uma cabeça mais curta e a sua ação elétrica torna o uso fácil para as crianças que ainda não têm controlo motor suficiente. 5 Estudos prévios de hábitos de higiene oral provam o uso difundido das escovas elétricas em crianças. 6 Torna-se assim apropriado avaliar a evidência científica em torno desta questão. Objetivos Avaliar e comparar a utilização de escovas de dentes manuais e elétricas de uso diário, quanto à eficácia de remoção da placa, saúde gengival, pigmentação e cálculo, fiabilidade, efeitos adversos e custos. Métodos Esta revisão sistemática é uma atualização da revisão publicada em 2003 e subsequentemente atualizada em 2005 sobre este tema. 7 Incluíram-se ensaios clínicos aleatorizados comparando escovas manuais e escovas elétricas de qualquer tipo, com participantes de todas as idades, com ou sem aparelhos ortodônticos, excluindo-se participantes com deficiência que pudesse afetar a escovagem dentária. Os resultados relativos aos participantes em idade pediátrica só foram reportados separadamente numa pequena parte dos ensaios, pelo que se optou neste resumo por apresentar os dados de todas as faixas etárias. As escovas elétricas foram subdivididas em sete grupos de acordo com o seu modo de ação: lado a lado, contra oscilação, oscilação rotatória, circular, ultrassónico, iónico e modo desconhecido. Os outcomes primários foram a quantificação de índices de gengivite e placa ou ambos, a curto ou longo prazo (um a três meses e mais de três meses, respetivamente). Os outcomes secundários foram os níveis de cálculo e pigmentação, a fiabilidade, o custo da escova utilizada, a deterioração mecânica e os efeitos adversos, como nos tecidos duros ou moles, e o dano ao aparelho ortodôntico ou às próteses. A estratégia de pesquisa foi conduzida até Janeiro de 2014 nas bases de dados Cochrane Oral Health Group's Trials Register, Cochrane Central Register of Controlled Trials, MEDLINE, EMBASE e CINAHL. Foram também pesquisados ensaios clínicos em curso e foi feita pesquisa manual às referências citadas nos ensaios incluídos. Dois investigadores avaliaram de forma independente a elegibilidade dos estudos e a sua qualidade metodológica, esta última através do instrumento Cochrane Risk of Bias Tool. Na meta-análise utilizaram-se modelos de efeitos fixos ou aleatórios, tendo como medidas de efeito a diferença média (DM) ou a diferença média standardizada (DMS) para variáveis contínuas, com intervalos de confiança a 95% (IC 95%). Avaliou-se a heterogeneidade estatística dos resultados pela medida I 2 , e a qualidade de evidência pelo GRADE. Planearam-se análises de subgrupo de acordo com o tipo de avaliação dos resultados (avaliações baseadas nos quatro quadrantes versus em quadrantes parciais), e com a qualidade metodológica dos ensaios (aleatorização, tipo de alocação, e ocultação). Outras análises de subgrupo e de sensibilidade foram igualmente efetuadas, incluindo por tipo de escova elétrica.
doi:10.25754/pjp.2017.11791 fatcat:5bddbltobncrtclld3eh3ri5iu