A Intertextualidade Como Um Critério De Coerência/Coesão

José Olavo Da Silva Garantizado Júnior, Mônica Magalhães Cavalcante
2017 Línguas&Letras  
RESUMO: A presente pesquisa tem como objetivo analisar como a intertextualidade constitui-se como um critério de coerência/coesão. Para isso, a base teórica será, sobre a visão de coerência/coesão, Cavalcante (2011) e Garantizado Júnior (2011) , que propuseram as relações dos fenômenos intertextuais e a definição da coerência, sobre intertextualidade, Koch, Bentes e Cavalcante (2007) , que propuseram uma visão mais ampla do fenômeno em análise. Metodologicamente, esta pesquisa possui caráter
more » ... a possui caráter documental, pois serão analisados textos já previamente divulgados em documentos oficiais e nas grandes mídias. Os resultados apontam que a intertextualidade stricto sensu, como defendem Koch, Bentes e Cavalcante (2007), é um dos fatores para a geração dos sentidos de um texto, configurando-se como um importante critério da abordagem conceitual da coerência/coesão. ABSTRACT: The present research aims to analyze how intertextuality constitutes a criterion of coherence / cohesion. For this, the theoretical basis will be, on the vision of coherence / cohesion, Cavalcante (2011) and Garantizado Júnior (2011), who proposed the relations of intertextual phenomena and the definition of coherence, on intertextuality, Koch, Bentes and Cavalcante (2007) ), who proposed a broader view of the phenomenon under analysis. Methodologically, this research has documentary character, because will be analyzed texts already previously published in official documents and in the great media. The results show that the intertextuality stricto sensu, as defended by Koch, Bentes and Cavalcante (2007) , is one of the factors for the generation of the meanings of a text, constituting an important criterion of the conceptual approach of coherence /cohesion. INTRODUÇÃO A partir da década de oitenta, os pesquisadores de Linguística de Texto, em especial no Brasil, debruçaram-se em estudar, além dos fatores de textualidade em si, quais os tipos de relações intertextuais mais presentes nos textos. Assim, o estudo desse fenômeno passou por diversas abordagens e perspectivas, desde Koch (1985) até os e-ISSN: 1981-4755 Volume 18 Número 41 133 recentes trabalhos de Koch, Bentes e Cavalcante (2007). Dentro dessas diversas maneiras de entender esse objeto de estudo, essas últimas autoras tiveram merecido destaque por, em seu modelo, desenvolverem uma divisão do fenômeno intertextual em duas abordagens: intertextualidade em sentido amplo (fundamenta-se, basicamente, no sentido bakhtiniano de dialogismo) e a intertextualidade em sentido stricto seno (que estariam ligadas aos tipos de relações intertextuais, destacando-se a intertextualidade implícita em oposição à explícita, as intertextualidades temática, estilística, tipológica, intergenérica e o détournement). Com efeito, este artigo tem abjetiva analisar como a intertextualidade constituise um dos critérios definidores da coerência/coesão. Esta nova maneira de entender a coerência e a coesão como sendo inseparáveis é oriunda dos achados de Cavalvante (2011), quando apresenta necessidade de haver trabalhos que pudessem indicar critérios menos voltados para os aspectos semântico-formais para se definir, por exemplo, os elos coesivos sequenciais. Esse pensamento influenciou sobremaneira a proposta de Garantizado Júnior (2011) que indicou uma abordagem preliminar de definição da coerência/coesão, levando-se em conta aspectos de natureza sócio-históricos, sociocognitivos e interacionais, dentre eles, a intertextualidade. Entendendo que a coerência/coesão é um fenômeno que deve ser considerado como um contínuo, seguindo as orientações teóricas de Cavalcante (2011) e Garantizado Júnior (2011), será examinado, neste trabalho: (i) quais as categorias definem a coerência/coesão, a partir da proposta de Garantizado Júnior (2011); (ii) como a noção de intertextualidade stricto sensu se configura na proposta de definição da coerência/coesão; Para fins de organização dos dados e dos resultados, optou-se por seguir com os debates teórico e analítico conjuntamente, começando pelas estratégias argumentativas, seguindo pelas relações interdiscursivas e finalizando com as representações sociais. A DEFINIÇÃO DA COERÊNCIA/COESÃO E SUAS CATEGORIAS DE ANÁLISE Nas pesquisas desenvolvidas pelos Grupos de Estudos Protexto (UFC), Texto, Discurso e Ensino (TEDE/UNILAB) e pelo Grupo de Estudos em Linguística Textual (GELT/UNILAB), observou-se que definir os processos de geração de sentidos de um
doi:10.5935/1981-4755.20170029 fatcat:ytjov7aiajhgfchnbaq3r5tvay