Bebel e Olavo - idolatrados "vilões" e "mocinhos" das oito: uma análise intertextual da novela Paraíso Tropical

Patrícia Amoroso, Carla Montuori
2008 Caligrama (São Paulo Online)  
Resumo: O universo intertextual esboça um rico e constante processo em mutação. A TV, como um meio de comunicação de massa, tem sido explorada pelo meio artístico das novelas, com instigantes experimentações intertextuais. Para retratar a questão da intertextualidade na televisão, este trabalho adotou como estudo a novela das oito, "Paraíso Tropical", de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, veiculada pela Rede Globo de Televisão. Para delimitar o objeto, o recorte escolhido foi o casal de
more » ... o casal de personagens Bebel (Camila Pitanga) e Olavo (Wagner Moura). A trama ficcional apresenta uma forte característica de relações de sexo, poder e dinheiro e conserva o sentido dramatúrgico, ao complementar-se em ricas relações intertextuais. . . Palavras-chave: intertextualidade, paratextualidade, telenovela Resúmen: El universo intertextual es el boceto de un rico y constante proceso en mutación. La televisión, como un medio de comunicación de la masa, ha sido explorado por la arte de las telenovelas a partir del uso de instigantes experimentaciones intertextuales. Para tomar la cuestión del intertextualidad en la televisión, este trabajo ha elegido el estudio de la telenovela "de las ocho", llamada "Paraíso Tropical", de Gilberto Braga y de Ricardo Linhares que fue exhibida en la Rede Globo de Televisión. Para delimitar el objeto, hemos seleccionado los personages Bebel (Camila Pitanga) y Olavo (Wagner Moura). La ficción muestra características fuertes en las relaciones de sexo, poder y dinero y mantiene el sentido dramatúrgico al complementarse en relaciones intertextuales dignas de observación. 2 2 2 2 2 Doutoranda do curso de Ciências Sociais da PUC-SP, mestre em Comunicação e Cultura das Mídias, pela UNIP-SP, em 2005. Palabras-clave: intertextualidade, paratextualidade, telenovela A intertextualidade na TV A intertextualidade na TV A intertextualidade na TV A intertextualidade na TV A intertextualidade na TV O primeiro conceito de intertextualidade foi exposto pelo pensador russo Mikhail Bakhtin, no começo do século XX, ao reconhecer o romance moderno como dialógico, estruturado por um tipo de texto onde o intercâmbio existente entre autores e obras se entrecruza na construção de uma nova narrativa. Entretanto, o termo intertextualidade foi introduzido somente em 1974, por Julia Kristeva, ao fazer uma releitura da obra de Bakhtin e reforçar o princípio de conexão existente entre um texto e todos os outros já produzidos, formando, assim, o clássico conceito de que todo texto se constrói como um mosaico de citações e é absorção e transformação de um outro texto (KRISTEVA, 1974, p. 64). Com os avanços nos estudos sobre o tema, a intertextualidade ganhou outro sentido. Foi inserido no conceito de intertextualidade um universo históricosocial e cultural muito amplo e complexo, o qual, conforme elucida Dominique Mangueneau (1998, p. 87), "envia tanto a uma propriedade constitutiva de todo texto, como ao conjunto das relações explícitas ou implícitas que um texto mantém com outros textos". Para os meios de comunicação, o conceito de Mangueneau é oportuno, já que a intertextualidade se reafirma na dinâmica da apropriação, onde um texto é deglutido, alterado, acoplado, mas também rearranjado para outros formatos, textos, sons e imagens. Trata-se de entendermos a intertextualidade, conforme a conceitou Laurente Jenny, a partir da transformação e da assimilação de vários textos presentes em um dado contexto e momento históricos, sempre na referência de um texto a outro, sem a perda de seu sentido (JENNY: 1979, p. 262). Para elucidar a questão, basta constatar como a mídia televisiva relaciona-se com diferentes "tipos textuais". A capacidade que a televisão possui em se inter-relacionar possibilita a composição de textos narrativos, que dialogam com a literatura, com os contos, com a publicidade e, sobretudo, com o cinema, conforme informa Anna Maria Balogh: A televisão se caracteriza pela sua extraordinária capacidade de absorção de outras linguagens, gêneros e textos, bem como por sua enorme voracidade ao fazê-lo, posto que permanece praticamente o dia todo e todos os dias do ano no ar (BALOGH, 2002, p.36).
doi:10.11606/issn.1808-0820.cali.2008.68133 fatcat:b7z66rxnnvai5obwhdyzc3imgm