Erasmi Roterodami, t.º I-1484-1514

Ramada Diogo, Curto
2004 Sudies in Bibliography   unpublished
Num dos manuscritos da severina existentes na Biblioteca Nacional de Lisboa, encontra-se uma «Misselania de entretenimento de discretos», para a qual se reivindica como título mais preciso Os Louvores da Parvoíce 1. Trata-se de uma tradução parafrástica do Moriae Encomium ou Stultitia Laus, elaborada provavelmente em meio intelectual eborense, entre 1596 e 1605 2. A sua análise permitirá um duplo exercício. Por um lado, a compreensão de uma obra construída a partir de outra implica atenção aos
more » ... mplica atenção aos dispositivos que na época orientaram a leitura do texto de Erasmo e con-dicionaram a construção de um novo texto. A este propósito, a divisão em capítulos, inexistente no original, os erros do copista e, sobretudo, as possibilidades abertas pelo manuscrito na fixação quer de uma linguagem, quer de práticas licenciosas são os aspectos mais evidentes 3. Por outro lado, importa seguir as formas de selecção e as variantes, patentes no manuscrito português, orga-nizando-as em torno de dois eixos. Um primeiro, designado-por convenção-de ordem cultural , agrupa as práticas de transmissão e de elaboração do conhecimento. Um segundo, mais difí-1. Biblioteca Nacional de Lisboa, cod. 7641, fls. 111-162. A identificação e transcrição paleográfica do manuscrito, que servirá de base a uma futura edição, foram feitas pelo Senhor Fernando Portugal, ilustre investigador, a quem muito agradeço. 2. Em Portugal, Jorge Alves Osório escreveu páginas pioneiras e de grande relevo analítico sobre a teoria da recepção aplicada à história da literatura e da espiritualidade, em geral, e da obra de Erasmo, em particular. No caso do manuscrito que aqui analisamos, é impossível determinar ao certo qual a edição do Moriae Encomium que esteve na base desta tra-dução. A questão foi colocada a propósito das traduções inglesas, cf. Clarence H. MILLER, «Current English Translations of the Praise of Folly: some corrections», Philological Quarterly, vol. 45 (1966), 718-733. O próprio Erasmo modificou e alar-gou vária vezes o seu texto, cf. P. S. ALLEN, Opvs Epistolarvm Des.. A melhor edição crítica encontra-se na monumental Opera omnia Desiderii Erasmi Roterodami, Liv. IV-t.º III-Moriae Encomium id est Stultitiae Laus (ed. Clarence H. Miller), Amesterdão, Oxford, North Holland Publishing Company, 1979, 36-40 (para a ques-tão das primeiras traduções, imitações e influência), 40-64 (para uma listagem das edições da edição original em latim). 3. Só a partir de 1765, há notícia de edições do Moriae Encomium seguindo uma divisão em capítulos.
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