Epidemiologia e aspectos transculturais do transtorno obsessivo-compulsivo

José Alberto Del-Porto
2001 Revista Brasileira de Psiquiatria  
Epidemiological and phenomenological data are convergent and emphasize the similarities of obsessive-compulsive features among different cultures and geographic regions (North and South America, Europe, Africa, Asia). In the studies reviewed, obsessions and compulsions show to be very similar in their variety and content, regardless sociocultural differences and historical backgrounds. The influence of the culture was observed only circumstantially , for example, when shaping religious and
more » ... l contents. The phenomenological homogeneity of obsessive-compulsive disorder, as a transhistorical and transcultural syndrome, suggests the existence of a setting of nuclear symptoms relatively independent of geographic, ethnic and cultural differences. The importance of biologic evolutionary and ethological studies is emphasized. Obsessive-compulsive disorder.Culture. Epidemiology. Dados epidemiológicos O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) era considerado, há cerca de uns 15 anos, uma doença bastante rara; de fato, estudos da década de 1950 apontavam para uma prevalência de cinco pacientes para cada 10.000 pessoas (ou 0,05%). Não foi senão depois de um amplo estudo epidemiológico americano, o ECA (Epidemiological Catchment Area Study), que os psiquiatras e os meios de comunicação em geral passaram a dar maior importância ao TOC e às doenças relacionadas a essa condição. Este estudo encontrou uma taxa de prevalência de 2,5% para o tempo de vida (lifetime prevalence), 1 fazendo do TOC o quarto transtorno psiquiátrico mais comum, sendo precedido apenas, em ordem de freqüência, por fobias, abuso e dependência de drogas e depressão maior. Tratando-se de um estudo epidemiológico muito amplo, que se utilizou de uma entrevista rigidamente estruturada (DIS -Diagnostic Interview Schedule) aplicada por entrevistadores leigos, não faltaram críticas aos resultados do ECA, que teria, segundo muitos especialistas, superestimado a prevalência de algumas doenças, em particular das fobias e do TOC. De fato, estudos mais recentes, como o de Stein et al, 2 compararam o resultado de entrevistas feitas por examinadores leigos com a avaliação diagnóstica realizada por médicos especializados (que reavaliaram os mesmos pacientes), e os resultados foram muito discrepantes. A prevalência de TOC, para o último mês, foi de 3,1%, de acordo com os avaliadores leigos, e de 0,6%, de acordo com os especialistas (outros 0,6% teriam sintomas obsessivocompulsivos subclínicos); os leigos tenderiam, segundo esses autores, a superestimar a prevalência do TOC a partir do relato de preocupações excessivas (rotuladas erroneamente como obsessões) e de fenômenos sem maiores repercussões para a Abstract Keywords
doi:10.1590/s1516-44462001000600002 fatcat:s4hw5df3orf3ja2qaq6a6myyxm