Editorial Revista Espinhaço

Miguel Fernandes Felippe
2015 Zenodo  
Entender as formas da superfície terrestre e os processos que as criam. Este é o ousado trabalho da Geomorfologia. Olhar para os contornos da Terra, em múltiplas escalas, e tentar compreender suas mudanças ao longo do tempo. Atentar para as transformações químicas de um mineral primário e secundário e, ao mesmo tempo, discutir a formação de um orógeno em um contato convergente de placas tectônicas. Mas por que não deixar as coisas um pouco mais difíceis? Deixá-las ainda mais complexas? Basta
more » ... complexas? Basta incluirmos no raciocínio os seres humanos, a sociedade... Essa é a missão da Geomorfologia Ambiental. Em uma conjuntura histórica na qual as questões ambientais permeiam os mais diversos campos do conhecimento, a Geomorfologia amplifica suas interfaces com a ecologia, a sociologia, o urbanismo, as engenharias, etc., fazendo nascer um ramo preocupado, essencialmente, com o meio ambiente. Estudos que antes tinham como objetivo caracterizar, descrever e mensurar, por exemplo, uma voçoroca e seus processos associados, agora passam a questionar as causas e consequências do voçorocamento para a população direta e indiretamente atingida pelo fenômeno. A Geomorfologia Ambiental não se dá por satisfeita ao estudar uma forma, ela quer se debruçar sobre as relações desta forma com a sociedade e os demais elementos do sistema ambiental. Por esse motivo, seus estudos são predominantemente de grande escala espacial (pequenas áreas), de recorte temporal relativamente curto e com resultados pragmáticos.
doi:10.5281/zenodo.3962126 fatcat:kkvvoyx7dzc4baw4deetjpd35i