O particular e o universal: Guicciardini e a possibilidade de uma filosofia política

Helton Adverse
2006 Kriterion  
221p. Se tomarmos o termo realismo em sua acepção vulgar, isto é, o senso/ sentido de realidade, tenho a impressão de que ele se acomoda mal na fi losofi a em geral e mesmo na fi losofi a política em particular. O trabalho conceitual não exigiria algum descolamento da realidade, isto é, uma tomada de distância sem a qual o pensamento não pode ser exercido livremente? E, em última instância, não seria essa a origem de uma afi nidade entre a fi losofi a e a morte, como afi rmou certa vez Hannah
more » ... certa vez Hannah Arendt? 1 Os antigos estavam bem conscientes dessa afi nidade, como diz Diógenes Laércio ao narrar a vida de Zenão de Cício. O estóico teria perguntado ao Oráculo qual era o caminho para se atingir a melhor vida e como resposta teria ouvido: "Adquira a cor dos mortos". 2 Em O banquete, Platão, por duas vezes (175a-b e 220d), se refere a um "estranho comportamento de Sócrates", uma espécie de alheamento em que o fi lósofo se mantém paralisado, de pé, às voltas com um problema, ou seja, 1 ARENDT, H.
doi:10.1590/s0100-512x2006000200014 fatcat:n22na2k7vvb3jkutlphgiwvsfq