Padronização da necropsia de fetos abortados e natimortos de ruminantes, equídeos e suídeos, pelo laboratório de anatomia patológica do Instituto Biológico

O Silva, C Santos, V Jesus, L Okuda, C Del Fava
2018 O Biológico  
Standardization of the necropsy of aborted fetuses and stillbirths of ruminants, equidae and swine by the Laboratory of Pathological Anatomy of the Instituto Biológico. A necropsia de fetos abortados e natimortos de ruminantes, equídeos e suídeos visa esclarecer o agente causal. Sua importância diagnóstica relaciona-se à saúde animal, devido aos prejuízos reprodutivos e produtivos do criatório, e à saúde humana, quando tratar-se de zoonose. A contaminação ambiental da carcaça pode comprometer o
more » ... diagnóstico microbiológico e parasitológico. Por este motivo, implantou-se, no Laboratório de Anatomia Patológica (LAP), do Instituto Biológico, o Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) ISO 17025, com procedimento operacional padrão (POP) e formulário de registro de necropsia (REG) para fetos abortados e natimortos de ruminantes, equídeos e suídeos. As carcaças encaminhadas à Triagem Animal (TA) foram registradas e encaminhadas ao LAP para numeração unívoca nos livros de registro de necropsia e de histopatologia. A paramentação do necroscopista baseou-se em equipamentos de proteção individual (EPI´s) descartáveis, tais como luvas, gorro, máscara, avental e óculos de proteção. Placenta/ placentônio e cordão umbilical, órgãos refrigerados (sistema nervoso central, timo, baço, linfonodos, coração, pulmão, fígado, rins, adrenal), exsudatos (líquido peritoneal, torácico ou do saco pericárdico) e conteúdo abomasal (ruminantes) ou conteúdo gástrico (equídeos e suídeos) foram amostrados. Os órgãos foram armazenados em copos coletores universais estéreis identificados com o número da TA e tipo de análise (bacteriológica, virológica e parasitológica), os exsudatos (sorologia fetal) e conteúdo abomasal ou gástrico (bacteriologia) foram armazenados em frascos tipo Eppendorf estéril. Alíquotas dos órgãos visando ao diagnóstico histopatológico foram fixadas em formol 10% tamponado. Alterações macroscópicas no exame externo e interno da carcaça foram registradas no REG, tais como má formação, cor de mucosas, traumatismo, integridade do umbigo, tamanho e coloração dos órgãos e agenesia. A colheita de materiais foi dividida em etapas, cada uma com troca de luvas, pinças e tesouras estéreis, para evitar contaminação cruzada: 1) colheita de fragmento de placenta/placentônio e cordão umbilical; 2) colheita de linfonodos da carcaça e retirada de membros torácico e abdominal esquerdos, retirada da pele do crânio e da região do gradil costal e abdômen; 3) abertura da parede abdominal e do gradil costal, coletando exsudatos livres nas cavidades para sorologia fetal (frasco Eppendorf), e fragmentos dos órgãos na seguinte ordem: timo, pulmão e coração; 4) colheita de fragmento de fígado, baço, adrenal e rins; 5) colheita de conteúdo abomasal/gástrico, com agulha e seringa estéreis (frasco Eppendorf); 6) abertura do crânio com serrote e colheita do encéfalo. Todo o material biológico e EPI´s foram autoclavados e descartados em lixo hospitalar. Sala, mesa e instrumentos de necropsia foram lavados com detergente e desinfetados com hipoclorito 5%. Posteriormente, instrumentos de necropsia foram esterilizados em forno Pasteur. O POP permitiu colheita de materiais fetais e de natimortos, com diminuição do risco de contaminação cruzada das amostras, permitindo diagnóstico microbiológico mais fidedigno.
doi:10.31368/1980-6221r00272018 fatcat:vrddhxfpmvbthe2n2wkqjck5vy