Feminismo e Repr esentação Discur siva do Feminino: A Pr esença do Outr o na Teor ia e na Pr ática

Cláudia Álvares
unpublished
No ensaio intitulado 'O Legado Teórico dos Estudos Culturais', Stuart Hall procura traçar a genealogia desta disciplina, focando as relações de poder e de conhecimento visíveis nos três principais momentos de viragem dessa formação discursiva, nomeadamente o declínio do marxismo ortodoxo, o surgimento do feminismo e a emergência da questão racial. Insurgindo­se contra uma narrativa historicista dos estudos culturais, segundo a qual estes teriam um único ponto de origem, Hall distancia­ se de
more » ... distancia­ se de uma visão teleológica e evolutiva: patente no seu artigo está a ideia de que os estudos culturais são uma disciplina sem fronteiras rigidamente demarcadas, redefinindo­se consoante as especificidades sociais, políticas e económicas que assinalam uma determinada conjuntura. Esta característica não constitui, obviamente, monopólio dos estudos culturais, estendendo­se a qualquer outra disciplina; no entanto, por se distinguirem pela abertura à alteridade, seja esta considerada em termos de classe, género ou raça, pressupõe­se uma maior auto­reflexividade nos estudos culturais do que noutras disciplinas. Subjacente à genealogia de Hall está uma desconfiança relativamente à superficialidade dessa abertura: nos referidos momentos de viragem constatam­se tentativas de defender o território disciplinar de ingerências conjunturais externas. Na década de 70, o feminismo revelou­se um momento particularmente ameaçador para o status quo teórico vigente, abalando os conceitos de poder e de subjectividade patentes nos estudos culturais. Ao colocar a questão do pessoal como pertencente ao foro político, revolucionou o conceito de poder que até então tinha sido desenvolvido no enquadramento teórico do espaço público. A conceptualização da subjectividade feminina do ponto de vista da interiorização do olhar masculino conduziu também à
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