O ninho: uma metáfora para maternar, paternar e fazer uma ciência que nos soe humana

2021 Anais do III Simpósio Brasileiro sobre Maternidade e Ciência - III SCMC-PIS   unpublished
O resumo expandido que aqui está sendo exposto trata-se de uma reflexão sobre algumas nuanças semelhantes que foram encontradas ao se colocar em comparação a vida parental e a vida acadêmica. Espera-se dar continuidade ao estudo, realizando um aprofundamento sobre a temática e amplificando suas possibilidades. O que se quer, afinal, é dar uma forma a um sentir, a uma pulsão que se comunica ora claramente, ora nem tanto, cuja aparece com a intenção de simplesmente valorizar positivamente uma
more » ... essão parental no meio acadêmico, abrindo-se espaço para considerações humanizadoras do pesquisar. O objetivo é, então, realizar uma abertura reflexiva para o trabalho do/a pesquisador/a em sua dimensão íntima e poética.A parentalidade apresenta-se como um processo cuja temporalidade não é linear, se faz nas memórias como filho e filha, como irmão ou irmã, como pais e mães. A construção de nossa identidade como pai ou mãe é também frágil e até precária, na medida em que nos transformamos e vemos nossos filhos se transformando, e por isso não é possível um apego duradouro com a maternidade e a paternidade que vivenciamos em determinadas fases da vida. Contudo, tal como a imagem aqui trazida, a do ninho, tais identidades se apresentam como pontos de segurança, de partida e, principalmente, de retorno.Entre as fragilidades, memórias, teorias, sentimentos e cotidianos vivenciados de maneiras distintas, a parentalidade demonstra-se plural mesmo que vivenciada pelos mesmos sujeitos. Existe dentro de cada cuidador um indivíduo que continua a desejar sua própria trajetória profissional, que aqui apresenta-se como a carreira acadêmica. Assim transita-se por mundos, criam-se mundos, para o pai, para a mãe, para o/a pesquisador/a.O ninho, utilizado como metáfora para refletir sobre a parentalidade de um casal que é composto por uma mãe e por um pai de uma menina de cinco anos, ambos pesquisadores, é compreendido como um lugar de construção para idas e vindas, um lugar seguro que permite o transitar e o conhecer. Um lugar, bem como nos ensina o geógrafo Yi-Fu Tuan (1983) , quando o espaço recebe um sentimento afetivo e assegura ao ser a sua estabilidade em um canto do mundo. A simplicidade com que os ninhos são construídos e a humildade de seus materiais não empobrecem tal onirismo estável, mas pelo contrário, enriquecem as possibilidades imaginárias e poéticas de amplificação de sentido. Estar em um ninho é habitar um lugar feito pelo corpo, tal como os pássaros os 1 2
doi:10.54265/hpzt2948 fatcat:3g6xixaisnehlh4jowzpmcc2ie