Que exílio é este, "o da Língua Estrangeira"?

Ana Cavalheiro, Ana Cavalheiro
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Resumo: O sujeito, constituído enquanto tal pelo acesso à linguagem, quando "toma a palavra" na língua estrangeira vivencia algum estranhamento. No entanto, tal experiência também lhe é, de alguma forma, familiar. Vemos que aí os opostos coexistem e se confundem: satisfações e repulsas, risos e desconcertos, estranho e familiar. Outras palavras, outros sentidos, outros sons e movimentos articulatórios diferentes favorecem ao aprendiz regredir ao "infans" e desestabilizar o sujeito de língua
more » ... jeito de língua materna. Baseando-nos em fundamentos da Análise de Discurso (AD), da Psicanálise freudo-lacaniana e da Teoria da Enunciação (Authier-Revuz), com este trabalho verificamos, no início do processo de aprendizagem de uma língua estrangeira por alunos adultos, que o estranhamento ou a familiaridade para como a língua estrangeira estão condicionados por aspectos de ordem do inconsciente e da memória histórica. Palavras-chave: estranhamento; familiaridade; língua estrangeira. INTRODUÇÃO Na sala de aula de língua estrangeira, as primeiras experiências com a nova língua provocam atitudes diversas, muitas vezes contraditórias. Alegria e prazer confundem-se com ansiedade, timidez ou vergonha. O riso, ora nervoso, ora demonstrando satisfação, é uma das atitudes naturais no contato inicial com a "língua estranha", o que evidencia a existência de um conflito nesse processo marcado pela coexistência do que se convencionou designar como opostos. A didática das línguas estrangeiras comumente desconsidera o confronto existente entre a língua materna do aprendiz e a língua que quer aprender, no que tange à constituição de sua identidade enquanto sujeito discursivo. Ocorre que, inevitavelmente, os aprendizes convivem com pontos de bloqueio na hora de ser um outro, de ver como veria o olho de um outro, de experimentar uma outra forma de nomear o mundo pela tomada de palavra em uma língua estrangeira (cf. Serrani-Infante, 1998). Partindo de tais considerações nos interessa verificar, na subjetividade do sujeito-aprendiz de língua estrangeira, como ele convive com a experiência do estranhamento para com a língua que aprende. Perguntamos onde residem os "nós" que atravancam o processo, que aspectos bloqueiam e que aspectos facilitam a
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