Responsabilidade moral depois da neurociência

Lincoln Frias
2013 Filosofia Unisinos  
Moral responsibility is centered on the idea that, given some conditions, people deserve blame or credit, punishment or reward. At least according to traditional readings, moral responsibility presupposes free will, understood as the ability to choose independently of previous events. The achievements of neuroscience in recent decades make a very good case for the hypothesis that the mind is a material entity, a subset of the electrochemical activity of the brain. However, if the mind is a
more » ... the mind is a material entity, then it is subject to physical laws. According to some interpretations, this entails the affi rmation of determinism and the denial of free will and moral responsibility. This article reviews some of those achievements and their likely impact on the attributions of moral responsibility. The fi rst section presents evidence from lesion studies, imaging techniques and direct electrical stimulation of the brain and argues that the convergence of results from these methods supports the hypothesis that the mind is the activity of the brain. The next section concentrates on studies that are usually taken as directly threatening free will -Libet's experiments and the apparent mental causation theory. The third section turns to the implications of these fi ndings for moral responsibility, explaining determinism, epiphenomenalism, libertarianism, hard determinism and compatibilism. Finally, the last section defends that the requirement of free will as a precondition for moral responsibility should be replaced by the requirement of more naturalistic properties, such as behavioral fl exibility, self-control and natural autonomy. Resumo A responsabilidade moral é baseada na ideia de que, dadas certas condições, as pessoas merecem culpa ou mérito, punição ou recompensa. Ao menos de acordo com a leitura tradicional, a responsabilidade moral pressupõe o livrearbítrio, entendido como a habilidade para fazer escolhas independentemente de eventos anteriores. As conquistas da neurociência nas últimas décadas são um forte indício de que a mente é uma entidade material, um subconjunto da atividade eletroquímica dos cérebros. Entretanto, se a mente é uma entidade material, então ela está sujeita às leis físicas. Segundo algumas interpretações, isso implica a afi rmação do determinismo e a negação do livre-arbítrio e da responsabilidade moral. Este artigo analisa algumas daquelas conquistas e seus Filosofi a Unisinos, 14(1):35-44 , jan/apr 2013 Lincoln Frias prováveis impactos nas atribuições de responsabilidade moral. A primeira seção apresenta evidências a partir de estudos de lesão, técnicas de imageamento e estimulação direta do cérebro, e defende que a convergência dos resultados desses métodos apoia a hipótese de que a mente é a atividade do cérebro. A seção seguinte se concentra em tipos de pesquisa que são frequentemente consideradas como ameaças diretas ao livre-arbítrio -os experimentos de Libet e a teoria da causação mental aparente. A terceira seção foca nas implicações dessas descobertas para a responsabilidade moral, explicando o determinismo, o epifenomenalismo, o libertarianismo, o determinismo forte e o compatibilismo. Por fi m, a última seção defende que a exigência do livrearbítrio como precondição para a responsabilidade moral deve ser substituída pela exigência de propriedades mais naturalistas, tais como fl exibilidade comportamental, autocontrole e autonomia natural. Palavras-chave: responsabilidade moral, ética, neurociência, neuroética, autonomia.
doi:10.4013/fsu.2013.141.03 fatcat:icqfspso4bax7dvwz3gfwz2ari