A diáspora ismaelita

António Melo
2008 Lusotopie  
Baseando-se num trabalho de arquivo, o artigo pretende mostrar que a diáspora ismaelita oriunda de Moçambique nos anos 1970 se agrupa em Portugal, não em resultado de um simples efeito da revolução de Abril de 1974 e do processo de descolonização, mas de uma acção cuidadosamente preparada, restritamente coordenada e diversamente vivida. Por um lado, avaliam-se as condições e os meios da partida bem como a percepção dessas movimentações pelas autoridades coloniais portuguesas. Por outro,
more » ... Por outro, analisa-se a vivência traumática da partida dos membros da comunidade ismaelita, detentora de fortes traços de coesão identitária. Essa vivência traumática apresenta uma diversidade de experiências individuais que terão tendência a reconfigurar-se após a sua instalação em Portugal. The Departure of the Ismaili Diaspora and its Preparation. Migration Experiences from the 1970s Drawing on archival sources, this article seeks to demonstrate that the migration of the Ismaili diaspora from Mozambique to Portugal in the 1970s did not simply come about as a result of the April 1974 Revolution and of the decolonization process; rather, it was a carefully prepared and orchestrated event that was perceived in different ways by those taking part in it. Thus, on the one hand, the article provides an account of the means and circumstances of the departure of this community, as well as of the ways in which the Portuguese colonial authorities regarded these movements; on the other hand, an assessment is made of the 'traumatic' dimension of the departure of a community characterized by strong internal cohesion. This traumatic dimension comprehends a variety of individual experiences, which were eventually to undergo significant reconfiguration upon arriving in Portugal. La diaspora ismaélite. Préparation et « départ », vécus de la migration des années 1970 Fondé sur un travail d'archives, l'article montre que la diaspora ismaélite originaire du Mozambique, s'est établie au Portugal non simplement en raison de l'impact de la Révolution d'avril 1974 et du processus de décolonisation, mais surtout à partir d'une action soigneusement préparée, coordonnée bien que diversement vécue. D'un côté, il s'agit d'évaluer les conditions et les moyens du départ ainsi que la perception qu'en ont eue les autorités coloniales portugaises. D'un autre, il s'agit d'analyser le vécu « traumatique » du départ des membres ismailis à la forte cohésion communautaire. Ce vécu recouvre une variété d'expériences individuelles qui connaîtront une certaine reconfiguration après leur installation au Portugal. Na distância de quase de trinta anos « a memória e o esquecimento são solidários », ambos fazem parte de um processo em que a experiência vivida se fundiu em histórias, comentários, lamentos, silêncios ; em suma, vidas que retomaram curso, © Koninklijke Brill NV, Leiden, 2008 Lusotopie XV (1), 97-102
doi:10.1163/17683084-01501007 fatcat:qgfkz7tt5vglxitglexh3tl77q