Esboço para um pensamento da diferença e do devir deficiente na educação

Rodrigo Barbosa Lopes
2016 Childhood & Philosophy  
Resumo Propomos neste artigo elaborar o esboço de uma crítica e de uma clínica para o pensamento da diferença e do devir deficiente na reflexão filosófica sobre a educação. O caminho escolhido passa pela análise de conceitos como diferença, devir, ontologia e acontecimento, apoiando-nos especificamente nas filosofias da diferença de Foucault e de Deleuze que aprofundaram notavelmente o diagnóstico da atualidade filosófica dessas noções. Reconhecemos, igualmente, que o estudo dos modos de
more » ... dos modos de problematização é a opção metodológica que um trabalho filosófico sobre a deficiência deve se empenhar em fazer para promover uma ontologia do devir deficiente, a qual considera a deficiência não mais, ou apenas, como objeto de um saber científico e pedagógico, mas como problematização das diferenças e emissão de singularidades irredutíveis ao regime do Mesmo, do Idêntico ou do Semelhante. Apresentamos sumariamente três alternativas ou possibilidades para se firmar na educação uma ontologia e uma política da diferença e do devir deficiente: reverter o platonismo ou conquistar para o devir uma arte das superfícies; propor que a reorganização do trabalho pedagógico da escola inclusiva se inscreva no domínio das práticas; e pensar a ontologia do devir deficiente sob o signo do acontecimento. Esperamos, por fim, que este trabalho contribua para aprofundar o estudo da filosofia da educação sobre a analítica da deficiência, da produção das diferenças e das práticas de inclusão na atualidade. Abstract We propose in this paper to draw the outline of a review and a clinic for the thinking of difference and of becoming-disabled in philosophical reflection on education. The chosen path goes through the analysis of concepts such as difference, becoming, ontology and event, relying specifically on Foucault's and of Deleuze's philosophies of difference, that notably deepened the diagnosis of philosophical currentness of these notions. We recognize, equally, that the study of modes of problematization is the methodological option that a philosophical work about deficiency should strive to promote an ontology of the becoming-disabled, which considers the disability no more, or just as the object of a scientific and pedagogical knowledge, but as problematization of differences and emission of singularities irreducible to the regime of Same, of Identical or of Similar. We summarily present three alternatives or possibilities to establish in education an ontology and politics of difference and of becoming-disabled: reversing the Platonism or conquer for the becoming an art of surfaces; proposing that the reorganization of the pedagogical work of the inclusive school sign up on the domain of practices; and thinking of the ontology of becoming-disabled under the sign of the event. We hope, finally, that this work 1
doi:10.12957/childphilo.2016.24972 fatcat:p2t7of2vhbachfylquo2wsqwnu