A hegemonia do modelo objetivo e a formação do jornalista

Francisco Eduardo Ponte Pierre
2013 Comunicação & Informação  
Resumo Este texto compara as duas formas que mais influenciam o jornalismo brasileiro. A seguir, constata a hegemonia do modelo norte-americano de jornalismo objetivo e interroga-se sobre os tipos de alternativas que este fato apresenta para o processo de formação do jornalista: a adoção pura e simples deste modelo, a opção pela militância ou a intenção de objetividade, com suas decorrências éticas e metodológicas. Palavras-chave: modelos de jornalismo, objetividade jornalística, ensino do
more » ... ica, ensino do jornalismo Haveria uma realidade objetiva, anterior e independente de qualquer operação racional ou subjetiva e que seria percebida passivamente em sua autenticidade. O conhecimento encontra-se assim reduzido a elementos de experiência associados e relacionados em percepções que constituem os dados ou fatos. Estes fatos, percebidos que são, em sua pureza também podem ser reproduzidos em sua autenticidade por um discurso que opere de acordo com certas regras e procedimentos. Em seu exame da imprensa americana, Alexis de Tocqueville nota que à diferença dos "... franceses onde predominam as discussões políticas, seus jornais são cheios de anúncios, notícias políticas e anedotas". Isso não lhe causa nenhuma estranheza já que na América "... as opiniões pessoais expressas pelos jornalistas não têm, por assim dizer, peso algum aos olhos dos leitores. O que procuram num jornal é o conhecimento dos fatos: só alterando ou desnaturando tais fatos é que o jornalista pode ganhar certa influência para sua opinião" (pp. 144-145). De necessidade, a valorização dos fatos transforma-se em virtude com o desenvolvimento dos serviços telegráficos de informação. E' quando, analisa Smith (1976), começa a delinear-se uma nova ética jornalística. Para atender a seus numerosos clientes, as agências começam a distribuir imagens isoladas do que aconteceu, apresentadas com evidentes sinais de imparcialidade. Ainda que "uma tendência étnica se fazia sentir em todas as agências (...) no seio de cada zona geopolítica, a agência jornalística dava a idéia de que havia um núcleo irredutível de fatos em estado bruto". "O editor não servia mais ideologia como matéria prima de base, mas informação; a ideologia (...), a propaganda era então alguma coisa que se fazia com a informação". "Os fatos eram sagrados e o comentário livre, como dizia C.P. Scott do Manchester Guardian" (p. 17). Não há como deixar de apontar a consangüinidade que tem essa fórmula com a divisa do New York Times -"ali the news that' s fit to print", e com a proposta positivista de Leopold Von Ranke -"wie es eigentlich gewesen", que lhe são contemporâneas. O padrão ético e de qualidade do jornalismo objetivo inicia sua caminhada hegemônica nos Estados Unidos, desde a primeira guerra mundial, com o modelo conhecido como "gatekeeper". Então, segundo Janowitz (1975), começa-se a criar um modelo que torne o jornalismo
doi:10.5216/cei.v2i1.22842 fatcat:k35vu2k2pvdctalo3fbmnhuhdm