Introdução aos estudos históricos (IV)

José Van Den Besselar
1955 Revista de História  
Fundamentem enim aliud nemo potest ponere praeter id quod posittun est, quod est Chtistus Jesus. I Cor. 3, 11. CAPITULO PRIMEIRO , GREGOS, JUDEUS E CRISTÃOS § 73. A Antigüidade Clássica. Se avaliarmos bem a duração secular da Antigüidade clássica ou greco-romana, -é só dela que pretendemos falar nestas páginas, -não nos custará compreender que a visão da história num período de 1.300 anos (1) não pode ter sido completamente uniforme, mas deve ter evolvido junto com o pensamento geral, variando
more » ... to geral, variando conforme as mentalidades das diversas épocas e adaptando-se às doutrinas das várias escolas filosóficas. Entretanto é legítimo falarmos na visão "clássica" da história, visto que a mundividência dos povos clássicos constitui certa unidade "orgânica". No fundo de quase tôdas as especulações dos antigos sôbre a posiçao do homem no mundo histórico encontramos umas convicções fundamentais, que são características do paganismo pré-cristão, ou talvez melhor: podemos verificar a ausência de certas noções que, com o triunfo do Cristianismo, se foram integrando na consciência da civilização ocidental (cf. § 75). O assunto é vasto e complexo, e neste parágrafo podemos estudar-lhe apenas alguns aspectos (2). Ao reconstruirmos a visão da História na Antigüidade, temos de recorrera observações dispersas, encontradas não só nas obras de historiadores e filósofos, mas também nas produções de poetas e dramaturgos. Justifica-se êsse método pela circunstância de não haver existido entre os gregos e os romanos uma disciplina filosó-
doi:10.11606/issn.2316-9141.v11i24p499-533 fatcat:lggprikt4jagdo6pg2zpu2f2cu